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Com a substituição do Mégane no Brasil pelo Fluence, a station wagon Grand Tour parecia fadada a ter o mesmo destino da variante sedã por aqui. O fato de que as peruas perdem cada vez mais espaço para os utilitários esportivos parecia apontar para o fim do modelo. Mas a Renault resolveu usar a Grand Tour para tentar atender o público de carros familiares da marca, que ficou sem opção desde o encerramento da produção do monovolume Scénic, no ano passado, e ainda não tem à disposição o utilitário esportivo Duster, que chega no segundo semestre desse ano.

Com essa missão, em dezembro de 2010, a marca francesa reduziu a linha Mégane Grand Tour a apenas uma versão de acabamento, com motor 1.6 16 V Hi-Flex, câmbio manual e sem opcionais. E, o mais importante, trouxe o preço para baixo, a fim de entrar na briga com as peruas compactas.

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O resultado foi imediato. Enquanto no ano passado inteiro a Grand Tour vendeu 2.864 carros, uma média de 238 unidades/mês, nos quatro primeiros meses de 2011 foram comercializados 2.234 exemplares, uma média mensal de 558 unidades – evolução de mais de 130% nas vendas. A recepção do mercado foi melhor até do que a Renault esperava. Com o pico de 728 carros vendidos em março, a fabricante resolveu investir para aumentar a produção mensal do veículo na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná.

Agora, a única Grand Tour disponível é a Dynamique – que antes já detinha mais de 90% do mix – com preço de R$ 49.050. Com esse valor, a perua média da Renault entra na disputa com Volkswagen SpaceFox, Fiat Palio Weekend e Peugeot 207 SW. Quando equipadas com os mesmos equipamentos, as rivais compactas chegam perto dos R$ 50 mil. Mas a station média da Renault é maior.

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Com seus 4,50 metros de comprimento e 2,68 m de distância entre-eixos, fica muito distante dos concorrentes. O entre-eixos, medida que se reflete diretamente no espaço interno, é significantes 22 cm maior que Weekend e SpaceFox e 24 cm maior que a perua 207. As outras dimensões são 1,47 metro de altura e 1,77 m de largura. Já o porta-malas carrega 520 litros de bagagem, medida que pode ser ampliada para generosos 1.600 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Além de espaço e preço competitivo, a Mégane vem bem fornida de equipamentos de série. Ar-condicionado digital, direção elétrica, duplos airbags adaptativos, ABS, trio elétrico, computador de bordo, rádio/CD/MP3 com controles na coluna de direção, sensores de chuva e luminosidade, rodas de alumínio de 16 polegadas e cruise control são alguns dos itens que vêm de fábrica. Mesmo com alguns deles já relativamente ultrapassados, como o sistema de som sem entrada USB ou para iPod, mantém algumas soluções singulares. Como a chave do tipo cartão, ignição através de botão e o freio de mão que lembra um manche de avião.

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O motor é outro já conhecido, o 1.6 16V Hi-Flex. Com ele, são gerados 115/110 cv de potência com etanol e gasolina a 5.750 rpm e torque máximo de 16,0/15,2 kgfm a 3.750 rpm. Com esse conjunto mecânico, a fabricante francesa garante que a sua perua atinge os 100 km/h, partindo da inércia, em 12,8 segundos e chega em 183 km/h de velocidade máxima.

Apesar da “reengenharia de marketing” da Grand Tour no mercado nacional, a Renault não promoveu mudanças no desenho do seu modelo. Portanto, a dianteira continua com a grade bipartida realçando o losango cromado e com faróis com cortes retos. A lateral é marcada por um friso na cor da carroceria no meio das portas enquanto que um vinco, mais discreto, fica logo abaixo das maçanetas. Na parte posterior, destaque para as grandes lanternas, com formato triangular e que sobem pela coluna.

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A Mégane Grand Tour reflete a recente estratégia da Renault em oferecer modelos com preços mais competitivos. Clio, Sandero e Fluence são alguns que também incorporam a tática focada no custo/benefício. Com a perua, não foi diferente e o mercado respondeu surpreendentemente bem. A Grand Tour mostrou que ainda tem sua função no mercado nacional.

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Instantâneas

# O Mégane Grand Tour foi lançado no Brasil em novembro de 2006. Só em março de 2008 chegou a versão topo de linha Privilège, que era equipada com motor 2.0.

# O Grand Tour recebeu a pontuação máxima de cinco estrelas no crash test realizado pelo EuroNCAP.

# Na Europa, o modelo já recebeu a sua terceira geração.

# O Cesvi Brasil avaliou a perua da Renault como a melhor do segmento no teste que classifica os veículos de acordo com os custos e a facilidade de realização de reparos.

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Ficha técnica - Renault Mégane Grand Tour 1.6 16V

Motor: gasolina ou etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm3, quatro cilindros em linha e 16 válvulas. Ignição eletrônica com acelerador eletrônico.

Transmissão: câmbio manual com cinco marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira.

Potência máxima: 110 cv/115 cv, a 5.750 rpm.

Torque máximo: 15,2 kgfm/16,0 kgfm a 3.750 rpm.

Diâmetro e curso: 79,5 mm X 80,5 mm, taxa de compressão 10,0:1.

Suspensão: dianteira independente do tipo McPherson, com braço inferior retangular, barra estabilizadora e amortecedor. Traseira do tipo eixo flexível, com pontos de fixação exteriores, deformação programada por molas helicoidais e amortecedor.

Freios: a disco nas quatro rodas, com sistema ABS com EBV.

Carroceria: station wagon em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,50 metros de comprimento, 1,77 metro de largura, 1,46 metro de altura ­– 1,50 metro com barras de teto – e 2,68 metros de entre-eixos.

Peso: 1.315 kg.

Capacidade do porta-malas: 520 litros/1.600 litros.

Tanque de combustível: 60 litros.

Lançamento no Brasil: 2006.

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Ponto a ponto

Desempenho – Chega até ser surpreendente a maneira que o motor 1.6 16V da Mégane Grand Tour move os 1.315 kg da station wagon. Não que o modelo seja um bólido, mas os 115 cv e os 16,0 kgfm de torque do propulsor ficam sempre “ligados” e conseguem fornecer um desempenho bastante satisfatório. Ponto também para a transmissão manual, que conta com engates precisos e curtos, que viabilizam trocas rápidas de marchas. Tal conjunto mecânico permite que o zero a 100 km/h seja feito na faixa dos 13 segundos. Nota 7.

Estabilidade – É um ponto delicado para as stations, por causa da traseira volumosa e pesada. Mas a perua da Renault se mostra um carro bem acertado neste aspecto. A suspensão com boa regulagem e as rodas com 16 polegadas conseguem deixar o veículo na mão do motorista. Em retas, a direção é precisa até os 140 km/h. Nas curvas, existe a tendência de sair de traseira apenas quando o motorista entra com um “ânimo” realmente exagerado. Fora isso, o comportamento dinâmico é bem tranquilizador. Nota 7.

Interatividade – Por ser um carro com projeto relativamente antigo – com lançamento no final de 2006 –, a Mégane fica atrás de modelos mais modernos. O rádio, por exemplo, só conta com entrada para CD. Não existe compatibilidade com USB e iPod. O sistema de som, pelo menos, tem controles na coluna de direção. A direção é leve, o que favorece as manobras, mas mesmo em velocidades altas é bastante precisa. A caixa de câmbio tem engates suaves e precisos, mas a embreagem da unidade avaliada tinha acionamento um tanto alto. Nota 7.

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Consumo – A pequena cilindrada do motor 1.6 do Mégane se reflete no consumo. Com apenas etanol no tanque de combustível, a station wagon da Renault conseguiu a média de 9,1 km/l em trajeto misto. Nota 8.

Conforto – Os bancos de tecido são largos e acolhem bem os cinco ocupantes. O espaço interno também é farto, tanto para pernas como para cabeças. O isolamento acústico é bom. Mesmo em altas velocidades, acima dos 120 km/h, é possível manter uma conversa em tom normal no interior. Nota 8.

Tecnologia – Por ser um carro antigo, não há grandes modernidades entre itens tecnológicos, como um rádio com entrada USB e para iPod ou GPS. Em compensação, o modelo “herda” dos seus tempos de “perua chique” uma boa lista de equipamentos de série, como airbag duplo adaptativo, ABS, chave do tipo cartão, ar-condicionado digital, cruise control e sensores de chuva e de luminosidade. Nota 7.

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Habitabilidade – Existe uma oferta razoável de porta-objetos no interior da station wagon da Renault. Os principais se situam no console central, na parte inferior e sob o rádio. As portas são amplas e facilitam o acesso dos ocupantes. Outro grande atrativo, essencial para uma perua, é o porta-malas. São bons 520 litros, que podem ser ampliados para 1.600 litros com o rebatimento dos bancos traseiros. Nota 8.

Acabamento – Mesmo depois de mudar de segmento no mercado brasileiro, a Grand Tour manteve o bom acabamento interno da época que brigava em uma faixa superior. A parte superior do painel é toda revestida de plástico emborrachado. No console central, o material é rígido, mas agrada aos olhos e ao toque. Nota 8.

Design – A Mégane Grand Tour já é um carro com quase cinco anos de mercado brasileiro – e, quando surgiu no Brasil, a versão europeia já havia sido renovada. Desde então, não foram realizadas reestilizações, apenas mudanças discretíssimas nas lanternas e faróis. Mesmo assim, o desenho não desagrada. Pode não chamar a atenção nas ruas, mas pelo menos mantém um ar de carro mais caro do que é. Nota 7.

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Custo/Benefício – É a atual razão de ser da Grand Tour. Depois do reposicionamento de mercado, a station wagon média ficou com preço de R$ 49.050 e já com uma lista recheada de equipamentos de série. Com isso, se aproxima dos valores cobrados por peruas compactas e menos equipadas, como Volkswagen SpaceFox, Palio Weekend e 207 SW. Nota 9.

Total – A Renault Mégane Grand Tour 1.6 16V somou 76 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir - Sem perder a pose

Durante boa parte de sua vida no Brasil, a Mégane Grand Tour foi vendida e considerada um carro do segmento médio, com nível de acabamento superior. Agora, sendo comercializada com preço de perua compacta, o modelo se aproveita disso. O visual, por exemplo, até empresta um “quê” de requinte para o modelo. Mas os principais mimos ficam no interior. Além da lista de equipamentos farta para um carro de menos de R$ 50 mil, existem alguns itens incomuns até para veículos mais modernos. O destaque vai para a chave do tipo cartão. É preciso apenas encaixá-la e apertar o botão da ignição enquanto pressiona o pé na embreagem para ligar o motor. O freio de mão – com estilo manche de avião – também tem acionamento estiloso e inusual.

No habitáculo, também fica evidente o passado “nobre” da Grand Tour. Os materiais usados são de boa qualidade, mesmo os plásticos rígidos do console central. Já na parte superior do painel, apenas materiais emborrachados e de boa sensação ao toque foram empregados. Os bancos não são de couro, mas abraçam bem os ocupantes. O mesmo tecido também fica nas portas.

A boa impressão da perua da Renault continua em movimento. O motor 1.6 16V de 115 cv com etanol parece ser pequeno para mover os 1.315 kg do modelo, mas na prática o desempenho é bem satisfatório. Não que ele inspire uma condução mais ousada por parte do motorista, mas é suficiente para o uso nas cidades. O câmbio manual de cinco marchas também se mostra eficiente, com engates precisos e curtos.

A suspensão é igualmente bem acertada para o cotidiano urbano. Ela tem um ajuste entre o macio e o rígido. Isso significa que supera os buracos com eficiência sem passar insegurança para os ocupantes. Em retas, até a faixa dos 140 km/h não foram necessárias correções na direção. Já nas curvas, a tendência de “jogar” a traseira – natural nas peruas graças ao volume extra da parte de trás – é bem absorvida pelo bom conjunto. Além disso, a direção é bastante direta e com o peso certo, mesmo em altas velocidades. Comparando tanto em preço como em conteúdo – dinâmico e de equipamentos –, a Mégane Grand Tour se mostra competitiva em relação às defasadas peruas compactas da faixa de preço semelhante. O crescimento nas vendas mostra que estratégia da Renault em reposicionar a Grand Tour foi bastante precisa e pode proporcionar vida longa ao modelo.

Por Rodrigo Machado – Auto Press


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