Opinião de dono: 60 mil km – Peugeot 208 Griffe

Depois dos relatos destrinchando a vida com um C4 Lounge por 4 anos, como prometido trago a experiência da convivência com um Peugeot 208 Griffe ano 2015/2016.

Índice


A aquisição do Peugeot 208

O carro é de utilização de minha esposa, que antes dele foi proprietária de dois VW Polo I-Motion, sendo o primeiro hatch e o segundo sedã. A escolha de carros para ela sempre foi voltada à categoria de compactos com um nível de equipamento superior.

Ela não tem uso e nem gosto por carros maiores, e como passa muito tempo dentro do veículo (viaja semanalmente à trabalho entre Goiânia e Brasília), acaba precisando contar com modelos com bom comportamento rodoviário, nível de segurança bom e comodidades que permitam menos cansaço.

Na última troca (julho/2015), com o Polo já fora de linha, acabei me interessando na observação de modelos Peugeot. A boa convivência com o Citroen C4 (do mesmo Grupo PSA) e a boa relação custo x benefício que se observava para os modelos da marca do leão acabaram me induzindo a uma visita ao concessionário da montadora.

A princípio, o interesse era pelo recém lançado Peugeot 2008. Fiz test-drive na versão Griffe, levei a patroa para conhecê-lo. Ótimo nível de equipamentos, boa motorização, 6 airbags… única ressalva estaria no câmbio de 4 marchas, mas para a utilização que minha esposa faz, ainda mais vindo anteriormente de um modelo I-Motion, certamente seria uma evolução.

Negociação feita, negócio quase fechado e eis que é lançada a linha 2016 do Peugeot 208, mantendo o preço da versão 2015 e trazendo a mais os airbags laterais e de cortina, além de sensores de estacionamento dianteiros.

Com esse pacote, o 208 praticamente se igualava ao 2008 (ambos na versão Griffe), tendo a menos apenas os bancos parcialmente em couro, o acionamento elétrico do teto panorâmico (no 208 é manual) e a alavanca de freio de mão diferenciada, que apesar de interessante visualmente no 2008, é de uma ergonomia bem sofrível.

Fazendo as contas, o Peugeot 208 sairia por R$ 14 mil a menos (saiu por R$ 60 mil com pintura metálica), além de contar com taxa zero para parcelamento em até 24 vezes, algo que o Peugeot 2008 (lançamento) não trazia.

Analisando bem, o porta malas um pouco maior traria zero de benefícios para a minha esposa (o volume disponível no 208 é mais que suficiente para as suas necessidades), a altura livre um pouco maior também seria desnecessária (só anda em asfalto) e os carros são absolutamente iguais em seu interior, seja em espaço, em ergonomia ou em nível de acabamento. Resultado: fomos de 208.

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Manutenção do Peugeot 208

Surpreendente. Essa é a melhor palavra para descrever a vida do 208 entre nós. Revisões a cada 10 mil km, com duas únicas ocorrências em termos de atendimento em garantia:

– aos 30 mil km, o carro me foi entregue pela esposa para encaminhamento à revisão, sem nenhuma queixa por parte dela. Entretanto, no caminho eu notei um ruído (tipo grilo) vindo do banco do passageiro, o qual relatei na concessionária. Um aperto no parafuso de fixação do trilho foi a ação necessária, providenciada na revisão;

– por volta dos 38 mil km o carro sofreu uma colisão traseira: um Azera abalroou minha esposa em um sinal de “pare” em Brasília. Danos superficiais na capa do para-choque traseiro, uma deformação discreta na chapa metálica que faz as vezes de verdadeiro para-choque (por baixo da capa plástica)… a princípio foram estes os danos, mas observou-se que após a ocorrência o esguicho de água do vidro traseiro parou de funcionar.

Imaginando se tratar de algum problema elétrico, relatei a ocorrência na revisão dos 40 mil km. O diagnóstico demonstrou um problema um pouco maior: no impacto, a tampa traseira se movimentou para cima e para baixo, rompendo a tubulação por dentro do forro, o que tinha ocasionado uma mancha por dentro da coluna “C” (nem tínhamos notado). A ação tomada: trocaram a tubulação e o forro interno inteiro do teto em garantia.

E foi só.

Dois pneus trocados na revisão de 50 mil km, outros dois permanecem originais até os 60 mil (ainda devem rodar até a revisão dos 70 mil km antes de atingirem os marcadores TWI). A bateria original durou cerca de dois anos e foi trocada com utilização do programa “Peugeot Total Care”, acionado pelo 0800 da marca.

Em 20 minutos um profissional com uma nova bateria se apresentou em casa (onde a bateria antiga se esgotou) e efetuou a troca cobrando valores de mercado pelo equipamento.

As pastilhas de freio dianteiras foram trocadas pela primeira vez aos 50 mil km. A utilização do carro na maior parte do tempo em ambiente rodoviário poupa muito componentes como pneus e pastilhas de freio.

Um componente que achei que se desgasta excessivamente: as paletas dos limpadores de para-brisa já foram trocadas duas vezes por perda de eficiência.

As revisões seguem o valor de tabela da Peugeot, que não é barato, mas está na média do que se pagava nas revisões dos Polo. Variaram aí de R$ 400 a R$ 900 nas 6 revisões realizadas.

O atendimento em concessionária sempre foi exemplar, carismático, eficiente e cumpridor no que tange a horários. Nada a reclamar. A ação em garantia na questão do forro me surpreendeu muito positivamente, uma vez que a ocorrência foi resultado de acidente de percurso.

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O carro

O Peugeot 208 é um carro de dimensões internas aceitáveis para a sua categoria. O nível de requinte de construção e de acabamento interno é muito bom, com excelente aspecto visual e encaixes bastante adequados entre as peças.

Todas as peças são em plástico rígido, mas a variação de texturas (há várias áreas com acabamento fosco-aveludado) denota um grau de percepção visual bastante elevado.

O nosso modelo foi dotado de forração de couro na concessionária em bancos, braços de porta e descansa braço central (item não disponível como opcional). Aliás, muito bom o descansa braço central, que é reduzido (normal em carros pequenos), mas ainda assim conta com um nicho interno revestido em borracha com função de porta-trecos.

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O painel no estilo i-cockpit da Peugeot é muito interessante, em especial ao primeiro contato. Mas ao contrário do que muitos entusiastas da marca relatam, de que “assim tinha que ser o painel de qualquer carro”, eu o acho tão funcional quanto qualquer outro modelo que traga o convencional cluster visualizado pelos raios do volante.

Não é melhor, nem pior. É diferente, apenas. Ele traz informações completas, computador de bordo de múltiplas funções e duas memórias, é muito agradável visualmente e forma um conjunto muito bonito com o volante de aro bem pequeno.

O comportamento dinâmico do carrinho é um diferencial: a posição de dirigir somada à empunhadura do pequenino volante é muito agradável. A agilidade com que ele faz curvas, o acerto exato entre conforto e estabilidade escolhido para a suspensão e o excelente nível de equipamentos deixa o carro perto da perfeição quando em movimento.

A ressalva fica, é claro, para o câmbio de 4 marchas, que merece um aparte. Trocas de marcha extremamente suaves (são até mais suaves que as do câmbio de 6 marchas do C4 Lounge), ótimo escalonamento, tudo somado ao excelente nível de isolamento acústico, dá para dizer sem dúvidas que em termos de conforto, a caixa automática cumpre seu papel com maestria.

Entretanto, é impossível negar que os “gaps” exagerados entre as marchas restringem o desempenho do (bom) motor 1.6. E é óbvio que a conta no posto de combustível é sentida, em especial pela limitação do número de marchas em rodovia.

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Conectividade do Peugeot 208

O carro é dotado de boa central multimídia com leitura de fotos e GPS. Ela é touchscreen e acaba por relegar vários comandos do carro à tela, como é o caso da excelente função blackout.

Entretanto, eu prefiro o acionamento por botões físicos, da forma que ocorre no Lounge. Mas é sinal dos tempos, e me parece irremediável que logo todos os veículos estarão funcionando desta maneira.

A Peugeot conta com um interessantíssimo aplicativo (Link My Peugeot), o qual toda vez que o celular se conecta ao carro por Bluetooth transfere dados do veículo ao smartphone, permitindo o acompanhamento de consumo, revisões, ocorrências e até mesmo saber se o alarme foi acionado em algum momento ou onde o carro foi estacionado na última vez.

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Equipamentos

A lista pouco deve a um C4 Lounge, por exemplo. Vamos a ela:

– Ar-condicionado digital dual zone;
– Multimídia touchscreen com GPS;
– Sensores de chuva e crepuscular;
– Sensores de estacionamento dianteiro de traseiro com escala gráfica na CMM e aviso sonoro;
– Limitador/controlador de velocidade (cruise control);
– Aletas para toca de marchas no volante;
– Teto panorâmico com abertura manual;
– Direção elétrica;
– Volante multifuncional com controle de mídia e telefonia.

Ele fica devendo a um Lounge Exclusive 2014 apenas os sensores de presença lateral, câmera de ré e keyless. Entretanto, oferece a mais os paddle shifts e o teto panorâmico.

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Ergonomia do Peugeot 208

Aqui reside o maior “defeito” que observo no carro: inadmissível um veículo com esse nível de acabamento e equipamento (sem falar no preço) não dispor de um botão interno para abertura do tanque. Ter que dar a chave ao frentista é doído em um carro tão bem equipado. Bola fora da Peugeot.

Os vidros também poderiam ser do tipo um toque para todas as portas. De qualquer forma, é meio que regra na categoria (e mesmo em categorias superiores) esse arranjo. No mais, tudo à mão, tudo muito intuitivo, central multimídia de fácil operação, facilidade em se parear telefones…tudo ok.

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Ressalvas

– Falta Isofix. Os modelos mais recentes agregaram o equipamento;

– O acabamento fosco dos braços de porta é ruidoso ao toque. Quando se envolve o mesmo com as mãos para puxar a porta é normal se escutar alguns estalinhos. São pouco significativos, mas estão lá;

– É normal alguns pequenos ruídos vindos da região dos porta-malas, bem ao estilo da maioria dos carros hatch;

– O consumo é bem aquém do ideal: 8,5 km/l em ambiente urbano pesado e 13 km/l em uso rodoviário, isso com uso de gasolina. Para o porte do carro, é muito. Nem é muito melhor que o “beberrão” Citroën C4 Lounge, um carro de outra categoria e muito mais pesado. Como dito, o câmbio de 4 marchas cobra o preço de suas limitações na bomba de combustível.

Conclusão

O melhor carro novo que já ocupou uma das vagas de garagem lá de casa (foram 12 até hoje). É esse o título que o 208 ostenta até o presente momento. Eficiente, confiável, de fácil manutenção, bom atendimento no pós-venda, confortável, bem equipado e bem-acabado.

O pequeno francês até nos faz esquecer do seu consumo de combustível além da conta e dos pequenos detalhes falhos em sua ergonomia. Valeu cada tostão.

Ah, dessa vez mandei fotos do interior também.

Abraços a todos.

Por Ubaldir Junior

Autor: Eber do Carmo

Formado em marketing, tem mais de 17 anos de experiência escrevendo sobre o mercado automotivo no Notícias Automotivas, desde que fundou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Também teve por três anos uma empresa de criação de sites e catálogos eletrônicos.