Ford F1000: história, equipamentos, anos, versões, motores e detalhes

Lembra do enorme sucesso que a Ford F1000 fez no Brasil? Vamos contar esta história desde o começo…

Foi em 1957 que a Ford do Brasil deu início ao seu enorme legado de picapes, que perdura até os dias de hoje.


Predominantemente as picapes Ford eram mais voltadas para o uso rural, mas isso mudou em 1979 com a chegada da F1000 – o zero a mais no nome, em relação à anterior Ford F100 fazia menção a duas coisas:

Primeiro que era uma picape movida a diesel e segundo que ela podia carregar até 1.000kg.

F1000: da roça para a rua

Para poder provar que ela sabia fazer picapes para o uso urbano, a Ford instalou nas primeiras F1000 um motor MWM a diesel 3.9 litros de 83 cavalos e 25,3 kgfm de torque – que garantia que a F1000 tivesse força e torque o suficiente para aguentar os trancos da cidade grande.

Um dos motes de venda da picape era a economia de combustível – cerca de 40% menor que a versão movida a gasolina – e sua maior rival, a Chevrolet da Série 10 utilizava um motor a gasolina no início.

A velocidade máxima que a Ford F1000 alcançava era de 125 km/h, o que para o início dos anos 80 era o suficiente – ainda mais para uma picape grande.

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No início de sua jornada, a F1000 – que usava a mesma carroceria da F100 – era vendida com ágio por conta do seu enorme sucesso.

A F100 por sua vez acabava por ficar de canto e ser vendida como opção de entrada da linha de picapes da Ford. Um dos seus destaques era ser oferecida com freio a disco na dianteira e direção hidráulica como item opcional.

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Para se tornar legal para usar o motor a diesel, a F1000, mesmo usando a carroceria idêntica da F100, recebeu algumas melhorias para poder carregar 1.005 kg.

Isso porque segundo a legislação brasileira, um veículo para ter motor a diesel precisava carregar mais de 1 tonelada para ser aprovado.

Outras pequenas melhorias foram feitas para agradar também o consumidor.

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Em 1985 a picape já era um tremendo sucesso de vendas e a Ford decide lançar uma nova versão batizada de F1000 SS – Super Série – e uma outra com motor a álcool, chamada de F1000A, que trazia um motor 3.6 litros a álcool com 115 cavalos.

No mesmo ano sua maior concorrente, a Chevrolet D10, troca de nome e passa a se chamar D20 e traz novos itens de série e pequenas melhorias cosméticas.

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Reestilização da F1000 em 86

Já para o ano de 1986, a Ford apresenta uma nova identidade visual para sua picape mais famosa, a irmã maior e mais velha da Pampa.

Novos faróis quadrados duplos alinhados com uma nova e bem destacada grade mais retangular, com luzes de indicação posicionadas próximas aos faróis principais.

As luzes de indicação de seta da nova F1000 ficavam mais abaixo dos faróis duplos, em formato mais retangular.

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Como a onda de customização começava a ganhar vários adeptos, a Ford tratou de trazer esse conceito para a F1000 reestilizada.

Era possível comprar a picape com pintura em dois tons, pneus radiais e calotas de alumínio.

Já no interior, a marca capricha para atrair mais jovens consumidores com seus bancos revestidos de tecido, seu novo sistema de ventilação e até a opção de oferecer teto solar, sendo uma das poucas picapes com esse tipo de item opcional.

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F1000 nos anos 90

Para o começo dos anos 90, a F1000 foi a primeira picape nacional a ganhar um sistema turbo compressor para seu motor a diesel.

A nova potência passa a ser 119 cavalos e com isso sua aceleração melhorava nitidamente – a aceleração de 0a100 km/h passava a ser feito em apenas 18 segundos – algo interessante para uma picape que poderia transportar até uma tonelada de carga.

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Nova geração em 1992

A Ford F1000 ganhava uma segunda geração em 1992, o que garantiu ao modelo um novo sopro de vida.

Mesmo sendo bastante competitiva – com relação a tecnologias e itens de série – ela ainda perdia para a Chevrolet D20 em termos de estilo na opinião de muitos, um item cada vez mais solicitado pelos consumidores.

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Para compensar os erros do passado, a nova F1000 ganhava um interior todo revisto, com atenção extra para a posição de dirigir – um dos itens mais criticados da primeira geração do modelo – um novo apoio central de braço e agora um novo teto solar de vidro.

O motor turbo diesel da F1000 ganhava também mudanças significativas para essa segunda geração – passava a render 122 cavalos e tinha 37 kgfm de torque.

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O visual dianteiro da F1000 de segunda geraçào era composto por novos faróis maiores e mais retangulares – agora simples em relação ao modelo anterior que contava com lentes duplas.

Os repetidores de seta agora ficavam nas extremidades dos faróis e eram mais quadrados também, a grade ficava ligeiramente menor e contava com filetes para dar a sensação de que o modelo tinha ficado mais largo.

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Na carroceria foram feitas outras alterações, como a adoção de uma cabine estendida – chamada de F1000 SuperCab – que trazia um banco traseiro com espaço para levar até três pessoas com certo conforto.

Uma nova versão F1000 4×4 também foi apresentada em 1994, junto com a opção de cabine estendida.

Para 1996, a F1000 ganhava um novo e potente motor a gasolina de 4.9 litros com seis cilindros e 148 cavalos – dotado de injeção eletrônica.

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Última geração da F1000

A última atualização do modelo veio em meados de 1996, quando a F1000 ganhou linhas mais arredondadas com seus novos faróis levemente menores que da linha 1992, em formato mais amendoado e com as lanternas de indicação de seta em formato mais retangular e posicionadas logo abaixo dos faróis principais.

Já a grade ficava novamente mais larga e além dos filetes horizontais, ela ganhava mais dois verticais para ficar como um aspecto mais agressivo que o modelo anterior.

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Em 1998 a F1000 ganha uma nova versão chamada Lightning – que era o mesmo nome utilizado pela versão preparada pela SVT na terra do Tio Sam.

Por baixo do capô, um motor 4.9 litros V6 a gasolina, para-choques pintados da cor da carroceria, vidros verdes e novas rodas de alumínio compunham o visual mais acentuado da picape grande da Ford.

Já para seu último ano – 1999 – a marca prepara o terreno para a chegada da nova F250 que veio para manter o legado da picape grande da Ford.

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Versões especiais da F1000

Assim com a Chevrolet D10 e D20, a Ford F1000 sempre caiu no gosto das pessoas que queriam algo a mais da picape e recorriam a transformadoras para modificar profundamente a picape nos mais diversos estilos de carroceria que fugiam do senso comum.

Vamos dar uma olhada nas versões especiais mais marcantes da picape icônica da Ford no Brasil.

F1000 Furglaine

Uma das variantes mais comuns montadas e encontradas da F1000 era versão Furglaine produzida pela Furglass, uma empresa de Guarulhos na Grande São Paulo, que era uma espécie de van montada na base da F1000, que foi montada incialmente na década de 80 e seguiu por muitos anos a fio.

A van – que era basicamente um micro-ônibus – usava em grande maioria os chassis da F1000 ou do caminhão leve F4000 – caso precisasse de mais espaço interno.

A carroceria tinha uma porta lateral corrediça, três fileiras de bancos (2+2+3 lugares respectivamente) e itens de conforto para os ocupantes, como ar-condicionado e revestimento em couro para melhor acomodação dos passageiros.

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Em alguns casos, era possível encontrar a versão modificada para ser ambulância ou ser usada como trailer – para viagens mais longas.

F1000 Cabine Dupla

Se você acha que a Fiat Strada e a Volkswagen Saveiro foram os modelos que inventaram essa moda de carregar até quatro passageiros e carga, você está redondamente enganado.

A empresa SR Veículos Especiais – empresa do Grupo Souza Ramos – foi uma das grandes precursoras no quesito de apresentar uma picape com 4 portas ou cabine dupla e espaço para mais que quatro ocupantes.

Para que os modelos ganhassem vida, a empresa adaptava uma nova carroceria na picape e aproveitava um pouco o espaço que seria da carga para acomodar passageiros.

Para deixar o visual um pouco mais equilibrado e levemente distante da F1000, eram usados na F1000 cabine dupla faróis e lanternas do Ford Del Rey que de alguma forma, casavam bem com as linhas gerais da picape que agora poderia ter até opção de 4 portas – coisa que até a Chevrolet passou a oferecer, mas a Ford se recusou a oferecer tal opção de carroceria.

F1000 Ibiza

Ainda na mesma vibe de furgão, a SR Veículos Especiais apresenta em 1987 uma nova versão de furgão baseado na mecânica e no chassi da F1000.

O modelo agora vinha com linhas mais arredondadas e ainda utilizava elementos estéticos do Del Rey. Ele era chamado de Ibiza, e poderia receber pintura em dois tons com tinha visual mais agradável que sua “concorrente” da Furglass.

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Ele era um furgão de respeito, com 5.5 metros de comprimento, 2.5 metros de altura e pesando um pouco mais que 2.5 toneladas, o Ibiza tinha tudo para ser considerado um irmão mais velho da primeira versão do furgão.

Assim como a outra versão, o Ibiza recebia um interior mais luxuoso e confortável para receber melhor seus passageiros.

Mas tudo isso tinha um preço, pois o motor a diesel – sem turbo – tinha que dar conta de todo o peso extra, se for levar em conta o peso original da picape.

F1000 4 portas

Se você acha que já tinha visto de tudo, espere que tem muito mais ainda, como por exemplo uma versão fechada com quatro portas e estepe pendurado na traseira – quase uma avó em tamanho família da Ford EcoSport.

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A versão “fechada” da picape F1000 com quatro portas, ficou a cargo da Brasilvan, que, segundo relatos da própria transformadora, ali as picapes recebiam um novo corpo totalmente montado em fibra de vidro e assim criavam o que chamavam de “station wagon”.

A nova “perua” podia vir na configuração ambulância, furgão para até 1300 kg, furgão isotérmico para até 1100 kg, veículo policial, automóvel de passeio executivo com acomodação para até nove passageiros – sim nove! – ou até micro-ônibus escolar com capacidade para até 15 crianças.

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Existiam também opções de carroceria que poderiam ter duas, três ou quatro portas laterais além de opção de portas traseiras mais largas, que davam acesso a terceira fileira de bancos dentro do veículo.

Dentre os opcionais oferecidos pela marca, estavam itens como ar-condicionado, direção hidráulica, aparelhos de som e até frigobar.

De início a Brasilvan usava o mesmo conjunto frontal das F1000 – antes da primeira reestilização – anos mais tarde eles passaram a desenvolver sua própria identidade visual.

Nave espacial

Já a transformadora Sulamericana, que fica sediada em Poá – na Grande São Paulo, decidiu rever o conceito da F1000, ao transformar ela numa espécie de nave espacial.

O modelo chamado de F1000 GB Special Fly Sulamericana (nome de outro planeta, concordam?) tinha uma carroceria totalmente nova se comparada a picape que lhe deu origem.

As portas dianteiras tinham um novo recorte e eram significativamente menores que as convencionais.

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Duas janelas verticais com bordas arredondadas eram inseridas nas laterais do modelo e destoavam completamente do desenho final do veículo.

Mas ele tinha a premissa de ser único e ter visual chamativo e levar com conforto 4 ou mais passageiros – coisa que ele fez muito bem no período que foi construído e vendido.

F1000 Fuji

Da mesma transformadora – Sulamericana – nasce outra versão da F1000.

Chamada de F1000 GB Special Fuji Sulamericana, ela tinha por maior destaque o fato de ser basicamente uma versão de cabine dupla com desenho mais inusitado.

Até metade da picape, ela ainda adotava o mesmo estilo e visual da F1000 tradicional. Da coluna B em diante uma enorme janela vertical que parecia estar em “itálico” era acompanhada por uma janela menor e mais fina também mais inclinada.

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O objetivo era dar mais visão para os passageiros do banco traseiro e ainda adicionar um estilo extra para a F1000.

Mesmo com o prolongamento da cabine, ainda era possível levar alguma carga no que havia restado da caçamba. Não temos dados específicos, mas como se pode ver pela foto, ainda era possível levar feno para alimentar seu cavalo de estimação.

Zé do Caixão

Apesar do nome acima, ele nada tem a ver com o modelo feito pela Volkswagen e muito menos com o personagem brasileiro.

A analogia fica por conta do formato que a picape ganhou, ainda mais com suas duas janelas verticais com formato mais peculiar e seu interior que lembram e muito um veículo funerário – daqueles que se veem em filmes norte-americanos.

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Nesse caso, a ideia era levar mais que quatro pessoas, e graças ao seu teto levemente mais alto na parte de trás, o modelo poderia comportar adultos com mais de 1.80 m de altura.

Um dos destaques mais interessantes nesta transformação era a porta traseira em duas folhas, de abertura horizontal, que facilitava o acesso ao interior do veículo.

Uma capa de proteção de fibra para o estepe era montada externamente e um bagageiro no teto com escada montada na traseira para acessar o bagageiro externo.

Bronco e Potro

Já para a transformadora Demec – de Diadema na Grande São Paulo – o objetivo era deixar o modelo mais natural possível.

A ideia era fazer uma picape com cabine dupla que tive a aparência do modelo de fábrica. Por isso pouquíssimas alterações físicas eram adicionadas na picape.

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Para a transformadora, eles poderiam receber os nomes de Bronco e Potro – uma vez que alguns dos veículos da Ford já recebiam nomes de cavalos e inclusive o Bronco era utilizado nos Estados Unidos.

Estes modelos recebiam um novo para choque com estribo, estepe montado na tampa traseira da picape e seis assentos individuais com encosto para cabeça, reclináveis.

F1000 Big Foot

Se você acha que é só na terra de Donald Trump que existem os pés-grandes, você está errado.

Para o Salão do Automóvel de São Paulo de 1988, a SR Veículos Especiais fez questão de mostrar que era possível ir ainda mais longe.

Eles apresentaram o Big Foot – um enorme veículo – que usava o mesmo chassi do Ford Cargo 1418 – basicamente um caminhão – com enormes pneus de trator e uma carroceria de F1000 transformada para ser uma perua.

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O modelo era extremamente exagerado, tinha cerca de quatro metros de altura, passava facilmente das 7 toneladas (sim, 7 toneladas) e ainda usava pneus de trator com mais de 1.70 metro de diâmetro, que pesavam cada um cerca de 400 kg.

Pintado num chamativo tom de amarelo, laranja e vermelho, ele conseguiria ser reconhecido a uma distância de quilômetros.

Infelizmente o modelo não conseguia fazer qualquer tipo de manobra, uma vez que esterçar os enormes pneus de trator seriam um tremendo problema.

E para chamar ainda mais atenção ele tinha 5 amortecedores pintados em um belíssimo tom (só que não) de verde limão em cada roda, mas na verdade apenas um deles funcionava de verdade, assim como a maioria dos carros conceitos que estamos acostumados a encontrar nos salões afora.

Certamente a história da F1000 no Brasil foi sensacional, e as versões especiais dela que foram criadas por aí não ficam muito atrás.

Kleber Silva

Kleber, 28 anos, designer e apaixonado por carros desde pequeno. Formado em design gráfico pela UNIP, ouvinte assíduo de música pop e master chef nas horas vagas.