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Mitsubishi Pajero Sport V6 Flex: algo um pouco diferente no segmento

Mitsubishi Pajero Sport V6 Flex: algo um pouco diferente no segmento

Digamos que você esteja no mercado procurando por um SUV de verdade, esteja disposto a gastar algo perto de 6 dígitos e sabe que crossovers ou “SUVs compactos” são, em geral, os travestis do mundo automotivo: seu visual escreve um cheque que sua estrutura não consegue compensar.


São uma desagradável surpresa. Uma Tucson seria ótima pra esposa levar a prole pra escola, mas sua resposta pra ela é “obrigado, mas não, obrigado”.

Sim, você sabe que um SUV de verdade manda a potência para as rodas de trás e/ou para as 4. Motor transversal pra economizar espaço? Terceira fileira de assentos pra crianças? O que é você, um comunista? (Ter) Sofisticação é muito bom e interessante, mas não ao preço da emasculação do carro.

Permita-me então apresentar-lhe o Mitsubishi Pajero Sport V6 Flex. Eu sei que a não ser que seu nome seja precedido de um título militar (Capitão, Major…) ou governamental, você só poderá comprar uma usada.


E aqui vão algumas razões porque você deveria considerar a possibilidade.

A primeira é que ela é de fato uma SUV. Feita sobre a antiga L200, ela tem chassis e carroceria separados, feixe de molas e um diferencial sólido atrás, pneus enormes que darão inveja ao Ed Motta e como conseqüência, bastante altura livre do solo.

Com 205 cv de potência e 32,3 kgfm de torque (ambos com etanol) e tração com caixa reduzida – acionada mecanicamente; se você quer botões vá jogar vídeo game; ou costurar – você irá rir daquela poça de lama enorme. Rir!

Quebra-molas? Mais diversão! Pode saltar todos! Só um aviso: o baque vai ser grande. Sua avó vai odiar, mas se você tem algum senso de diversão, eu garanto, vai adorar! Refinamento não consta no vocabulário dos engenheiros que a projetaram.

A isso eu digo: amém, irmãos! Por ela ser tão crua e robusta, você não terá medo de jogá-la na terra, lama e o que mais a mãe natureza te reservar.

Mitsubishi Pajero Sport V6 Flex: algo um pouco diferente no segmento

Já que estamos no tópico, continuemos o assunto da suspensão. Lembra da falta de sofisticação? Ela sacode seco e pula pela menor imperfeição. Qualidade de rodagem é um termo a ser usado com cuidado. Pode soar como insulto pra alguns donos, você me entende?

Não tenha dúvidas de que a suspensão vai te levar pra pescar em qualquer beira de rio e sua firmeza vai te passar segurança pra acelerar na rodovia, curvas ou não. E numa briga com os buracos, a Pajero ganha.

MAS, não é confortável. O meu Sandero com rodas 17” e pneus 215/45 é muitíssimo mais macio. Tá certo, nenhuma surpresa até agora.

Mas andar num carro assim é mais que simplesmente ir de um lugar pra outro. É toda uma experiência diferente. Enquanto na maioria dos carros que dirijo eu nem penso em procurar onde estão os botões para os vidros, na Pajero o instinto é colocar o Ray-Ban, abrir as 4 janelas e colocar AQUELA lista de rock pra tocar, começando por Born to be Wild.

E selvagem ela é. Os baques secos, os sons, a forma como a potência é entregue, o puro exagero da quantidade de metal à frente e atrás de você dão a sensação de se estar andando em algo mais animalesco que mecânico.

Se pudesse andar de rinoceronte, imagino que seria algo assim. Um rinoceronte equipado com um ar-condicionado projetado por quem tem um urso polar como animal de estimação.

Não é brincadeira. Com 5 de nós no carro, incluindo dois amigos cujo peso inicia com o número 1, não agüentamos uma temperatura menor que 22,5 graus com o ar no modo econômico e em sua menor velocidade. Ridículo.

E ótimo pra quem quer gelar cerveja no caminho pra Caldas Novas. Só pra constar, o A/C desce até os 17 graus e tem 8 velocidades.

Mitsubishi Pajero Sport V6 Flex: algo um pouco diferente no segmento

A experiência é completamente analógica. Não espere encontrar aqui botões pra deixar a suspensão e a direção mais macias. Esse é um projeto que veio ao mundo antes da era da internet. E é pra essa época que você será transportado ao dirigi-la.

Uma época antes da censura hipócrita da TV, dos capacetes e cotoveleiras pra andar de bicicleta na praça e antes da humanidade pastoralmente aceitar que precisa se proteger de si mesma com eufemismos e recomendações de saúde nas embalagens.

Controle de tração e estabilidade? Faça-me o favor! Aprenda a dosar o pé e contra-esterçar o volante. Ou chame a mamãe e peça arrego, seu maricas! ABS está presente – você vai usá-lo – assim como estão dois airbags, mas numa colisão com qualquer coisa menor não há com o que se preocupar.

Outra medida de segurança que o porte massivo agrega é que na estrada todos saem da frente. E enquanto a altura dos pneus e do chão e o grande peso desencorajam altas velocidades, prepare-se para ficar felizmente supreso.

A transmissão é lenta nas respostas e violenta nos engates. Cada troca é uma pancada. Combina com o caráter do carro, por mais estranho que pareça. Em estradas abertas é possível cruzar em velocidades bem altas. Trocando em miúdos, você que como eu tem lastros no lugar dos pés não se decepcionará com o desempenho desse animal.

Por outro lado, se decepcionará imensamente com o consumo de combustível. A minha média nela é de 4,2 km/l de álcool e mais assustadores ainda 4,4 km/l de gasolina. A minha mãe que dirige como uma…er, mãe, maneja números até 5% melhores. Pífio. Faquires, passem longe.

Ou olhe a coisa por outro ângulo: Um modelo à diesel demandará um investimento inicial imediato de 10 a 12 mil reais mais alto. Esse valor não inclui o seguro que será significativamente maior que o do V6, Some a isso o maior risco de assaltos e um motor mais barulhento e grosseiro e menos potente e de repente o seis cilindros brilha.

Se torna um pouco Frank Sinatra – beberrão sim, mas com uma ótima voz e sempre pronto pra farra – para o João Gilberto que é o Diesel – sem dúvidas cheio de méritos, mas muito chato e cheio de demandas irritantes.

Se você ainda não se convenceu que a Pajero V6 é uma alternativa a ser considerada, por favor, suba a bordo. Não toque nada ainda. Só se impressione com o espaço.

Uma família de 3 viveria confortavelmente caso fossem instalados um banheiro e uma cozinha. Ela é maior que quitinetes em grandes centros urbanos. Melhor construída também. Nenhuma rachadura nessas paredes, meu senhor.

O ruim é só mesmo o acabamento, digno de um Uno do começo da década de 90. Os plásticos são duríssimos, a “madeira” do painel não está enganando ninguém e o que a fábrica chama de couro não vai trazer o medo dos 7 palmos a nenhum bovino.

Os equipamentos se equiparam aos de um popular bem equipado. Há direção hidráulica, controle elétrico dos retrovisores e vidros (um toque só pra descer e ainda assim só o do motorista. Japoneses…), som com entradas P2 e USB, ar condicionado digital (suficiente para a câmara fria de um açougue, como acima mencionado), travas elétricas e alarme.

Ela é um produto do seu tempo e seu tempo é o meio e o fim da década de 90.

Sensores de estacionamento são instalados na concessionária e são de grande ajuda às vezes, mas a ótima visibilidade mitiga um pouco sua necessidade. Sensores de chuva e crepuscular são pra ela coisa de ficção científica e se você não consegue aferir o momento certo de ligar os faróis e/ou limpadores, então realmente não deveria estar dirigindo.

Em outras palavra, se você é daqueles que espera que o carro faça tudo enquanto você se concentra na ligação que recebeu pelo Bluetooth do carro procure a próxima concessionária Kyundai, Chevroliat ou Fordwagen.

Se por outro lado você procura um veículo de personalidade – forte, eu admito – não precisa procurar mais.

Ainda que ela use mais combustível que um avião da década de 40, tenha uma transmissão que opera em tempo geológico e seja crua como uma boa picanha, sua capacidade de rir da incompetência do nosso governo de manter as nossas estradas e a experiência atrás do volante vão te conquistar.

Por Bruno Balestra

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