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Avaliação: Tentamos descobrir por que o Corolla vende tanto

Falar sobre o Toyota Corolla sempre envolve tentar descobrir como um carro relativamente tão caro consegue emplacar tantas unidades por mês.

Avaliação: Tentamos descobrir por que o Corolla vende tanto


Se você tem mais de 40 anos ou gosta de rever propagandas clássicas, certamente vai se lembrar do comercial que dizia: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”

Essa inteligente jogada de marketing foi tão marcante que até hoje é relacionada a outros produtos, quando alguém tenta entender qual é o fator gerador e qual é a consequência. E isso também pode ser aplicado ao mundo automotivo.

Quando tentamos entender por que alguns modelos vendem mais que outros, nem sempre o preço é o fator determinante. Pense, por exemplo, no modelo dessa avaliação: o Corolla vende muito porque realmente é bom, ou acaba sendo bom porque vende muito?


O modelo cedido pela Toyota, que ficou duas semanas sendo testado pelo Notícias Automotivas, foi exatamente a versão que é disparada a campeã de vendas da marca, o intermediário Corolla XEi. Será que ao final desse período conseguimos descobrir o segredo do sucesso de vendas do japonês?

(Também temos uma reportagem com todos os detalhes do Corolla 2019, confira.)

Conhecendo a linha do Corolla

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Alguns modelos chamam a atenção pelo preço baixo, e isso faz suas vendas subirem bastante. Mas, obviamente, esse não é o caso do Corolla. A versão testada pelo NA tem valor sugerido de R$ 105.990, se posicionando no meio de uma linha que chega a absurdos R$ 118.990.

Falando sobre essa linha, ela começa com a versão GLi Couro, que sai por R$ 90.990 e é a única equipada com o motor 1.8 16V Dual VVT-i Flex. Esse motor entrega 139/144 cv e 17,7/18,6 kgfm de torque, e é associado a uma transmissão CVT que simula sete marchas.

Entre os equipamentos de série, a versão GLi Couro vem com ar-condicionado manual, computador de bordo com seis funções (consumo médio e instantâneo, indicador Eco Drive, autonomia, velocidade média, tempo percorrido, controle de iluminação do painel e da temperatura externa), coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, sistema de som com USB, Bluetooth e conexão para iPod e similares, volante multifuncional, vidros e retrovisores elétricos, rodas de 16 polegadas com pneus 205/55 e outros.

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No caso das configurações XEi, XRS e Altis, o motor usado é o 2.0 16V Dual VVT-i Flex, que entrega 143/154 cv e 19,4/20,7 kgfm de torque, também com câmbio CVT que simula sete marchas.

Além dos equipamentos citados acima, a versão XEi adiciona ar-condicionado digital; Smart Entry e Push Start (que dispensam o uso da chave para entrar no veículo e ligar o carro), espelho retrovisor interno eletrocrômico, piloto automático, faróis de neblina dianteiros, acendimento automático dos faróis, sistema multimídia com tela LCD sensível ao toque de de 7” (com Bluetooth, DVD player, CD-R/RW, MP3, rádio AM/FM, GPS, TV digital e câmera de ré), quatro alto-falantes e dois tweeters, antena shark fin e rodas de 17 polegadas com pneus 215/50.

Acima dela aparece a versão esportiva XRS, que sai por R$ 111.990 e agrega vários itens estéticos, como acabamento interno na cor preta, aerofólio traseiro com luz de freio em LED, saias esportivas laterais, frontal e traseira, e ponteira do escapamento cromada, além de faróis dianteiros em LED, ajuste de altura do farol e rodas diamantadas aro 17” com acabamento em preto brilhante.

Finalmente, temos a versão Altis e seu salgado preço sugerido de R$ 118.990. Os equipamentos presentes exclusivamente nessa versão são ar-condicionado dual zone, limpador do para-brisa com sensor de chuva, banco do motorista com regulagem elétrica de oito posições, espelhos retrovisores externos com rebatimento elétrico e rodas diamantadas aro 17”, com acabamento na cor cinza.

Vale ressaltar que todas as versões do Corolla contam com sete airbags, controle de tração, controle de estabilidade e assistente de partida em rampa. Modelos concorrentes diretos, como Civic e Cruze também andam muitos caros assim como o Corolla.

Dirigir o Corolla revela seus pontos positivos

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Ao rodar com o Corolla XEi, percebemos seus primeiros pontos positivos. Seu motor 2.0 trabalha bem em conjunto com o câmbio CVT e tem fôlego de sobra, mesmo carregado com cinco passageiros e bagagens.

É claro que existem sedans mais potentes, mas não dá pra reclamar do modelo da Toyota.

Diferente de outros carros com câmbio CVT, que mantém o giro no alto o tempo todo quando o acelerador é pressionado, o Corolla simula a troca de marchas e dá um ar mais esportivo (o que, convenhamos, nunca foi a sua praia).

Com a tecla Sport pressionada, o carro fica mais esperto.

No fim das contas, dirigi-lo é prazeroso. Fizemos várias viagens, algumas com o carro cheio, e o Corolla sempre respondia bem nas retomadas e era seguro nas curvas. Por outro lado, ao testar as borboletas atrás do volante percebemos que elas são dispensáveis.

O Corolla não é um carro esportivo e, independentemente do modo manual, ele vai trocar as marchas sozinho quando a rotação atingir certo limite.

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O melhor modo de guiar o Corolla é com tranquilidade, sabendo que você tem motor suficiente quando precisar. O piloto automático contribui para essa suavidade, pois é bem preciso e fácil de manusear, apesar de sua posição incomum em relação a outros modelos (seus comandos estão numa alavanca, do lado direito do volante).

O painel de instrumentos recebeu um novo grafismo na linha 2018, o que tornou sua leitura mais fácil. No meio, aparece uma tela TFT colorida de 4,2 polegadas, que fornece informações de consumo, navegação e áudio.

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Os bancos são confortáveis e tem regulagem de altura para o motorista, mas os ajustes elétricos só aparecem na versão topo de linha Altis. Os apoios de cabeça na dianteira oferecem um bom suporte, e são maiores do que estamos acostumados a ver (eles chegam a bloquear a visão de quem viaja atrás).

Um detalhe negativo é o apoio de braço nas portas dianteiras, que parecem baixos em relação à altura dos bancos (mesmo com os bancos totalmente abaixados).

Esse detalhe foi percebido por todos que dirigiram o Corolla, o que acaba não oferecendo o suporte ideal, como faz o apoio central.

Um sedan espaçoso, mas que não faz milagres

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Nas viagens com o carro lotado também percebemos que o espaço interno do Corolla XEi é bom. Com um entre-eixos de 2,70 m, o espaço para as pernas dos ocupantes traseiros é mais que suficiente. Além disso, o assoalho quase plano torna a viagem para o ocupante central menos sofrida.

O teto conta com um recuo na parte da frente que beneficia os mais altos, mas isso não acontece na parte traseira. Em nossas viagens, quem tinha mais de 1,82 m de altura e sentava atrás já sentia algum desconforto.

Já o porta-malas tem 470 litros e pode ser considerado espaçoso, mas fica atrás de alguns concorrentes que passam dos 500 litros.

Nessas viagens também percebemos um fato curioso: todos os que ficavam no assento do meio reclamavam da falta de apoio, o que os fazia ser jogados de um lado para o outro nas curvas. É claro que esse é um problema em qualquer carro (por isso ninguém gosta de viajar nesse lugar), mas no Corolla parecia ser pior.

Não conseguimos chegar a um consenso sobre o motivo disso.

Alguns disseram que o banco tinha uma textura muito escorregadia, enquanto outros sentiram falta de um túnel central mais alto (acredite se quiser), pois isso supostamente daria um apoio para os pés e ajudaria a se segurar nas curvas.

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Lateralmente, o Corolla conta com um espaço parecido com os outros modelos de sua categoria. Ou seja, se três adultos viajarem no banco de trás, eles ficam um pouco apertados. E eles também vão sentir mais calor, pois o Corolla não tem uma saída traseira do ar-condicionado.

A segurança, pelo menos, está no nível esperado: todos contam com cinto de três pontos e apoio de cabeça, além do carro ter Isofix e Top Tether. E quando apenas dois passageiros viajam atrás, eles ainda contam com o apoio central para os braços.

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Falando sobre o acabamento do Corolla, notamos que ele está num nível muito bom. São vários pontos macios ao toque, em couro e com detalhes que o tornam mais sofisticado. Pena que a Toyota continue usando o velho conhecido relógio digital no painel (visto também em outros modelos da marca).

Já está na hora de mudar isso, não é?

Os porta-objetos também aparecem por todos os lados, como no apoio central e do lado esquerdo do volante, abaixo dos comandos dos espelhos elétricos. O porta-objetos que fica na frente da alavanca de câmbio também esconde a tomada 12V e as entradas USB e auxiliar.

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As portas levam até garrafas maiores, e entre os bancos existem dois porta-copos com um separador removível, que pode ser ajustado em algumas posições.

Esse separador também tem uma posição específica para guardar a chave presencial.

Consumo na estrada é bom, mas na cidade pode assustar

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O Corolla apresenta as medições de consumo no computador de bordo e na central multimídia, onde aparece um histórico diário de consumo.

Essa poderia ser uma função bem interessante, mas o gráfico não é exato, aparecendo apenas barras e um marcado lateral, que vai de 0 a 30 km/l. Por isso preferimos fazer medições próprias, que achamos ser mais exatas.

Em várias viagens feitas com o Corolla, notamos uma média de consumo que pode ser classificada entre razoável e boa. Nos primeiros dias, rodamos com gasolina e fizemos uma viagem com duas pessoas a bordo e ar-condicionado ligado.

O resultado foi um consumo de 13,5 km/l. Vale lembrar que esse consumo é de um percurso misto, com 70% de estrada.

Depois disso, decidimos abastecer o Corolla com etanol e rodamos vários dias na cidade e na estrada. Com esse percurso, obtivemos uma média de exatos 9 km/l.

No fim de semana, ainda com etanol no tanque do Corolla, fizemos uma viagem mais longa com cinco adultos e algumas bagagens. O peso extra acabou influenciando o consumo mais do que imaginávamos, e o número final ficou na casa dos 9,5 km/l.

O problema é percebido quando o percurso é 100% urbano. Nesse caso, os números de consumo que aparecem no computador de bordo podem assustar, como visto na foto acima.

Para evitar isso, é preciso dirigir de maneira ainda mais tranquila, sem nenhuma pisada mais forte.

Itens que sentimos falta

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Não dá para negar que o segmento dos sedans é um dos mais competitivos no Brasil. Para sobreviver em meio a tantas opções, muitas marcas tem investido pesado na tecnologia que oferecem nos seus produtos.

Nesse aspecto, parece que o Corolla sempre correu atrás da concorrência, o que lhe rendeu a fama de ser voltado para um público que não liga tanto para isso. A verdade, porém, é outra: quanto mais tecnologia embarcada, melhor, e isso ressalta algumas falhas do Corolla.

O principal exemplo é a central multimídia. Sua tela de sete polegadas chama a atenção no painel do Corolla, mas seu funcionamento é lento e faltam funções que até carros mais baratos já possuem, como Android Auto ou Apple CarPlay.

Mesmo com as funções básicas, como sintonizar uma rádio, a central do Corolla é irritantemente confusa e lenta. Não existem botões físicos, o que também torna aumentar ou abaixar o volume um processo mais lento do que o normal (também não existe uma função para emudecer o som).

Aliás, o volume parecia sempre baixo, o que pode ser um problema específico dessa unidade avaliada.

Outro ponto negativo aparece a noite, pois não é fácil desligar a tela e eliminar aquele brilho intenso. Essa função até existe, mas demora para ser encontrada nas opções do menu.

Para não dizer que só encontramos pontos negativos, o GPS do Corolla funcionou muito bem, sendo bem preciso e com indicações no tempo certo.

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Outro item que sentimos falta no Corolla XEi foi o ar-condicionado dual zone, que deveria estar presente num carro de mais de R$ 100.000. Apesar disso, os controles eram bem fáceis de usar e as informações ainda apareciam na tela da central multimídia.

Conclusão

Voltando à questão levantada no início dessa matéria, nossa avaliação nos ajudou a ver alguns dos pontos positivos que tantas pessoas enxergam no Corolla.

A dirigibilidade do sedan da Toyota continua muito boa, tornando o Corolla um carro prático para a cidade e ainda melhor para rodar nas estradas. O espaço interno, apesar de não ser excelente, está dentro do esperado para o segmento (como dito acima, o porta-malas de 470 litros fica atrás de outros sedans).

No quesito segurança o Corolla sempre ofereceu uma boa quantidade de airbags (sete em todos as versões atuais), e ainda agregou no último pacote de novidades os tão aguardados controles de tração e de estabilidade, além de oferecer também o assistente de partida em rampa.

Mas, sinceramente, nada disso está no topo da lista de motivos que colocam o Corolla como líder em seu segmento.

Os argumentos, na verdade, aparecem quando você conversa com quem decidiu comprar o carro (muitas vezes dizendo que já está no terceiro ou quarto modelo consecutivo).

Esses motivos incluem a confiabilidade da marca, algo que é encarado por muitos como subjetivo, já que toda marca tem seus fãs incondicionais. Mas é verdade que a Toyota sempre foi uma marca conservadora, que não inventa na hora de dar ao seu cliente o que ele espera.

Outro argumento, talvez o principal, é o valor de revenda. Veja, por exemplo, o modelo que testamos, o Corolla XEi. Uma unidade 0km sai por R$ 105.990, o que é considerado um valor absurdo pela maioria dos consumidores.

Se você acha isso muito caro e quiser um Corolla XEi usado, com um ano de uso, você ainda terá que desembolsar mais de R$ 92.000, segundo a tabela FIPE. Se isso ainda estiver fora do seu alcance e você quiser um modelo 2016, o preço estará na casa dos R$ 80.000.

Vale lembrar que tudo isso é baseado na tabela FIPE. Uma pesquisa rápida na internet revela que vários anúncios tem valores ainda maiores, especialmente quando os carros estão pouco rodados.

Moral da história: você paga caro, mas vende (relativamente) ainda mais caro.

Já que os carros novos custam tão caro no Brasil, escolher aquele que é mais valorizado acaba sendo um fator muito importante.

No fim das contas, é difícil saber se a bolacha Tostines vende mais porque é fresquinha ou se é fresquinha porque vende mais. Também não é fácil descobrir por que o Corolla vende tanto, se quase todo mundo reclama de seus preços.

Mas parece que vai demorar para outro sedan desbancar o atual líder e tirar o sedan nipônico do primeiro lugar.

Corolla – Fotos

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