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Ao vender um carro chinês? Vou perder dinheiro? $$$ Verificamos na prática

Ao vender um carro chinês? Vou perder dinheiro? $$$ Verificamos na prática

Ter ou não ter um carro chinês? O pacote sempre é chamativo: carros bem equipados e preços abaixo da concorrência. Mas muitas dúvidas também aparecem. Será que a manutenção não será cara? Os materiais usados são de qualidade? É seguro andar num modelo de marca menos conhecida?


Passados alguns anos desde o início da invasão chinesa, a maior parte dessas questões já foi respondida pelos consumidores (seja de forma positiva ou negativa). Para isso, muitos usam a opinião de amigos ou de especialistas, além de reportagens sobre o assunto. Mas, para todos aqueles que nunca colocaram um carro chinês na garagem, uma dúvida continua: e na hora de vender, vou perder muito dinheiro?

Para responder essa pergunta escolhemos um dos últimos lançamentos da JAC Motors, a chinesa com melhor aceitação no mercado brasileiro. Estamos falando do J3 S Turin 1.5 JetFlex (veja nossas impressões, feitas no lançamento do modelo atualizado aqui), que é vendido por R$ 41.990. O modelo, cedido pela JAC, é 2014, tem menos de 8.000 km rodados e tem valor de tabela de R$ 36.913.

Confira agora como nos saímos ao tentar vender o modelo, tanto em concessionárias (como parte na negociação de um zero km) como em outras lojas multimarcas.


Ao vender um carro chinês? Vou perder dinheiro? $$$ Verificamos na prática

Concessionárias jogam o preço lá embaixo

Começamos nosso dia em uma concessionária Volkswagen. Após perguntar sobre o up!, falamos sobre colocar o J3 S Turin no negócio. O vendedor disse que outra pessoa fazia as avaliações, mas já nos adiantou: “Acho que vão te pagar uns 30% abaixo da FIPE”. Daí, ele mesmo já perguntou o preço de tabela, sacou sua calculadora e anunciou: “No máximo, se você comprar mesmo o up!, podemos pagar R$ 25.000”.

Saindo dali, partimos para a Nissan, onde o sistema é um pouco diferente. Ouvimos do vendedor que a concessionária só pegaria o carro se já tivesse alguém interessado. Ou seja, se o cliente quiser colocar seu usado no negócio, eles ligam para vários estacionamentos em várias cidades oferecendo o modelo. Pelo menos no caso do nosso J3, não queriam coloca-lo em seu estoque de seminovos. O mesmo ocorreu na Renault, que até trabalha com vários seminovos, mas não queriam pegar o J3 por falta de mercado.

A terceira parada, certamente a mais interessante, foi na autorizada Chevrolet. Discutimos a compra de um Onix LT completo, e aí falamos sobre o J3. Fomos junto com o vendedor até o setor dos seminovos (bem maior do que nas lojas anteriores), onde seria feita a avaliação.

E aí ocorreu a surpresa: o responsável pelas avaliações de usados não gostou nem um pouco da ideia, mostrando que não tinha a menor intenção de ficar com o carro. Chegou a questionar o vendedor (quando não estávamos por perto) como alguém poderia querer colocar esse carro na troca. Ao fazer a pesquisa sobre o preço de tabela, usou como base o valor do J3 S na versão hatch, alegando que no documento do carro não havia a expressão “Turin”. Tentamos argumentar, mas isso não mudaria o preço final oferecido: R$ 20.000.

Seguimos para a Ford, onde, por coincidência, havia acabado de chegar a primeira unidade do novo Ka. Fomos com o vendedor ver o carro (que ainda estava sujo da viagem) nos fundos da concessionária, e voltamos para sua mesa, onde ele nos disse que as primeiras unidades do lançamento chegariam em breve. Citamos a possibilidade de incluir o JAC no negócio e, para nossa surpresa, ele disse que havia acabado de pegar uma perua J6 numa troca. “Fiz um bom negócio”, disse o vendedor. “Paguei barato”. Mesmo assim, ouvimos a negativa em relação ao J3: “Acho que você vai fazer um negócio melhor se tentar vender particular”. Entendendo o recado, rumamos para outra loja.

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Chegando à Fiat, perguntamos sobre o Novo Palio, ouvimos as condições e novamente citamos a troca com nosso J3. O vendedor disse que precisava consultar outra pessoa, mas que achava difícil o carro ser aceito. Ele então pegou o telefone e passou as informações, se mostrando surpreso com a resposta positiva. “Eles pegam o carro sim. Ofereceram R$ 20.000, eu chorei um pouco, e eles pagam R$ 23.000.”

A última parada foi na Hyundai, onde tivemos o melhor atendimento e a melhor avaliação. Mostramos interesse no HB20. A vendedora mostrou bem mais disposição que seus colegas de marcas concorrentes, nos passando com muita paciência todas as informações sobre cada versão do modelo. Sentamos para discutir as condições e já citamos nossa intenção de colocar o J3 no negócio.

Ela admitiu não conhecer o carro, mas chamou o responsável pela área, indo com ele ver o modelo. Voltando, elogiou a conservação e os equipamentos, e nos perguntou quanto gostaríamos de receber por ele. Não especificamos valor, e ela disse que precisaria consultar uma terceira pessoa para dar a oferta. Enquanto isso, ganhando tempo de forma inteligente, nos convidou para um test-drive no HB20 1.0. Quando voltamos, recebemos a melhor oferta pelo J3, que foi de R$ 26.000.

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Lojas multimarcas não querem nem ver o J3

No dia seguinte mudamos o foco, e partimos para as lojas multimarcas. Em algumas, mostramos interesse por algum carro do estoque, em outras falamos apenas em vender o J3. Em quase todas ouvimos uma resposta negativa. Na única exceção, ouvimos que o estoque estava muito cheio, mas que assim que pudessem iriam nos ligar para vender o carro de forma consignada.

Nas outras, a resposta sempre era algo do tipo “Carro chinês não tem mercado, desculpa”, ou ainda “Tente vender em cidades maiores, como São Paulo. Lá você vende fácil”.

Conclusão

Para muitos, comprar um carro chinês simplesmente pelo preço não é mais tão interessante. A grande variedade de modelos oferecidos no Brasil sempre dá ao consumidor a possibilidade de encontrar uma boa oferta em marcas tradicionais. E se você tinha medo de perder muito dinheiro na venda, saiba que seu receio tem fundamento. Ao colocar um modelo como o JAC J3 de nossa avaliação numa troca, espere ofertas entre 30% e 40% abaixo da tabela. Se o carro em questão for de outras marcas chinesas, espere ofertas ainda mais baixas.

Será que em outras concessionárias, em outras cidades, a história seria diferente? Dificilmente. Percebemos claramente que a maioria dos vendedores que nos atenderam não tinham preparo para esse tipo de negócio. Quem leva seu usado a uma concessionária sabe que vai receber ofertas bem abaixo da tabela, mas isso não quer dizer que ele não espera ver seu veículo sendo bem tratado. E se a sua saída for tentar a venda particular, saiba que pode demorar meses para conseguir uma boa oferta.

Por outros motivos, comprar um carro chinês continua sendo interessante para alguns. O J3 S Turin usado para essa reportagem era muito bem equipado, e seu motor 1.5 tem vigor de dar inveja a muitos modelos com motores maiores, 1.6 ou 1.8. Mas quem compra um carro em marcas menos tradicionais precisa avaliar o quadro todo e saber que, na hora de vender, o barato pode acabar saindo caro.

Galeria de fotos do JAC J3 S Turin

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