Ford Fiesta – Reclamações e Problemas

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O Fiesta foi um modelo de sucesso no mercado brasileiro, conhecido pelo porte e desempenho superior ao seu irmão menor, o Ford Ka, mas abaixo do Ford Focus, é uma ótima opção de compra para quem precisa de mais espaço do que um Hatch de entrada pode oferecer, mas não quer arcar com os gastos de um médio. Se está pensando em comprar um, fique conosco nesse texto que vamos relatar os principais problemas e reclamações do modelo.

Estreou no mercado nacional somente na sua terceira geração, em 1995, ainda importado da Espanha e concorria diretamente com Corsa, Gol e o Uno, recebeu sua quarta geração já em 1996 e agora era produzido no Brasil.

Essas duas gerações não tem mais muita disponibilidade no mercado, mas tinham um bom acabamento, a versão importada apresenta dificuldade para encontrar algumas peças e já não é muito recomendada, a versão nacional não sofre tanto com escassez de peças e compartilha componentes mecânicos com outros carros.

Nosso texto vai ser focado nas 5ª e 6ª gerações, que tem ampla disponibilidade de compra no mercado e ainda são muito procuradas.

A 5ª geração chegou em 2002 e foi de longe a mais longeva e bem sucedida em vendas, eu duvido que você saia de casa hoje e não encontre pelo menos um exemplar circulando, trazia as motorizações 1.0 Zetec com 66 cv e 8,8kgfm, 1.0 supercharger com 105 cv e 12,6 kgfm e finalmente o 1.6 Zetec com 111cv e 15,8 kgfm, tinha opcionais como ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos, o porta-malas era grande com 305 litros.

A 6ª geração (e última) foi anunciada em 2011 e ficou conhecida como New Fiesta mexicano, visto que era importado de lá, em 2013 passou a ser produzido no Brasil e virou o New Fiesta nacional, tanto no nacional quanto no mexicano.

O design foi bem acertado, o acabamento melhorado e os motores oferecidos muito mais eficientes e tecnológicos, tanto na versão 1.5 (111 cv), quanto na 1.6 (130 cv) que dispensavam tanque de partida a frio, trazia itens como ar condicionado automático, Bluetooth, assistente de saída em rampa, direção elétrica, banco de couro, cambio automatizado e muito mais. No fim da sua vida, ainda recebeu uma versão 1.0 turbo de 125 cv, mais eficiente.

Após esse breve resumo, vamos aos principais problemas:

5ª geração:

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Péssimo desempenho na versão 1.0

Foi um dos carros mais lentos já vendidos no Brasil no século 21, consegue ser mais devagar que Kwid e Mobi, por exemplo, seus cansados 66 cv e quase nulos 8,8 kgfm fazem com que a aceleração de 0 a 100 km/h seja feita em 18s e a velocidade máxima seja de 146 km/h, mas pelo menos era relativamente econômico quando rodando com o carro vazio (faz 14 km/l na rodovia quando abastecido na gasolina).

Ar-condicionado para de funcionar

Diversos relatos de problemas no ar-condicionado que simplesmente para de funcionar por problemas elétricos, verifique o funcionamento do sistema com cuidado.

Sistema de freios ineficiente

O carro demora pra parar e não tem a frenagem tão precisa quanto deveria, fazendo com que o freio deva ser acionado com antecedência e com uma certa pressão.

Arrefecimento problemático

O reservatório de expansão do líquido de arrefecimento trinca e apresenta vazamentos com frequência, mangueiras e conexões apresentam os mesmos problemas, é raro pegar um Fiesta que não tenha o característico cheiro de “radiador’, justamente pelo vazamento do fluído do arrefecimento. Válvula termostática e cebolinha também costumam apresentar problemas. Desde que o dono perceba antes de faltar água, o reparo é barato e simples, o problema é quando a água acaba e o motor ferve… aí a brincadeira pode sair bem cara.

Acabamento plástico

Painel, consoles e forros de porta são construídos em plástico duro e sem muito requinte, além do problema estético, ainda faz muito barulho na rodagem que chega a incomodar em estradas mais esburacadas.

Queima da bobina

Esse é um problema de solução simples, porém ocorre com certa frequência, a queima da bobina, muitas vezes em apenas uma saída, faz com que um ou mais cilindros comecem a falhar e o motor ficar fraco, tremendo e com um consumo elevadíssimo, dificilmente vai encontrar um carro assim para vender, porém pode acontecer após a compra.

Versão supercharger não pegou

O sistema de supercharger tem a ideia parecida com a do turbo, empurrando mais ar para dentro do motor e aumentando sua eficiência volumétrica, porém essa versão não foi bem aceita no Brasil e hoje apresenta baixo valor de mercado, dificuldade de vender e dificuldade em encontrar peças específicas.

Durabilidade da embreagem

Principalmente na versão 1.6, existem diversos casos de troca da embreagem antes dos 100.000 km, não é um problema crônico do carro, mas é bom prestar atenção se o pedal opera normalmente e se a embreagem não patina em condições que é mais exigida.

6ª geração:

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Atuador do pedal da embreagem

O pedal da embreagem fica mole, as marchas ficam duras e raspando para entrar, muitas vezes sequer entram e o carro fica na rua, muitos mecânicos condenam a embreagem, mas na grande maioria das vezes o problema está numa pecinha de menos de R$ 200,00, o atuador do pedal de embreagem.

Peças da versão mexicana são escassas

As unidades de 2011 a 2013 fabricadas no México têm peças de acabamento exclusivas, que são mais caras e algumas são bem difíceis de achar, inclusive fazendo com que o seguro dessa versão seja mais caro que o da versão nacional.

Powershift problemático

Esse câmbio nem precisa de apresentação, não é mesmo? O problemático câmbio automatizado da Ford, que assassinou a reputação do (ótimo) Focus e queimou até a Ecosport, esteve presente também no New Fiesta, sinceramente nem vale a pena detalhar os problemas, trepidações, ruídos, solavancos e erros no painel são os principais, mas nem se preocupe com eles, simplesmente não compre um carro com esse câmbio, há quem diga que consegue solucionar os problemas definitivamente, mas já está manchado no mercado e perderá valor de revenda e será difícil de vender mesmo que barato.

Sem vidros elétricos na traseira

Algumas versões não tem vidros elétricos na traseira e as vezes na hora da compra isso passa batido, visto que as portas dianteiras sempre têm.

Suspensão frágil

Os componentes da suspensão, em especial os amortecedores e buchas, muitas vezes tem a vida útil bem baixa e começam a apresentar problemas e barulhos desagradáveis, ande bem com o carro, principalmente em ruas esburacadas.

Recalls

  • O já relatado câmbio Powershift teve recall em algumas unidades;
  • Fechadura da porta: O sistema de fechamento e travamento das portas pode falhar e em casos graves fazer com que a porta abra sozinha com o carro em movimento;

Conclusão

O Fiesta de quinta geração é um carro muito confiável, com o problema mais grave apresentado no sistema de arrefecimento, o sistema deve ser inspecionado com cuidado, e sempre mantido limpo com aditivos de qualidade, o carro peca em desempenho na versão 1.0 e no acabamento e isolamento acústico, mas com certeza é uma boa escolha no mercado de usados, tem manutenção relativamente barata e preço competitivo.

Na sexta geração o carro mudou sua cara, ficando mais tecnológico e sofisticado, fuja das versões automáticas e prefira a versão nacional, mesmo o acabamento da mexicana sendo superior, devido aos custos de peças de acabamento e lataria.

Se possível, prefira a sexta geração em relação à quinta, bem mais moderna e confortável, se optar pela quinta geração, escolha a versão 1.6 que tem o consumo pouco maior que a 1.0 mas muito mais desempenho, a versão 1.0 supercharger não pegou no mercado nacional e deve ser evitada.

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Autor: Luca Magnani

Engenheiro mecânico na indústria automotiva, pós graduado pela Universidade da Indústria do Paraná em Engenharia de veículos elétricos e híbridos.