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GNV vale a pena?

GNV vale a pena?

Gás Natural Veicular. O combustível derivado de petróleo foi muito popular há alguns anos no Brasil, mas acabou caindo em desuso em muitas partes do país, embora seu consumo seja muito alto no Rio de Janeiro e em alguns estados do Nordeste. Alternativa à gasolina e diesel, o GNV esta novamente ganhando mais importância no cenário automotivo, mas na Europa, onde a pressão do diesel está reduzindo enormemente o consumo do óleo combustível, fazendo com que o gás fique em evidência.


Mas, será que vale a pena ter um carro com GNV? Isso vai depender de alguns fatores, o que inclui também a região onde se mora. Desde benefícios fiscais e descontos tributários até a própria tecnologia de injeção de gás no propulsor podem ter custos que influenciarão de forma positiva ou negativa. O preço do m3 do gás natural nas bombas também é outro fator importante para responder essa pergunta.

GNV vale a pena?

Incentivos e preços

Antes de começar a pensar em um carro movido por GNV, é preciso ter em mente se a região onde mora possui abastecimento de gás natural. Apesar de boa parte do país ser servido por postos de GNV, nem todos os locais possuem infraestrutura adequada para tal. Isso pode significar problemas, pois até cidades de porte médio não possuem sequer uma bomba de gás, como é o caso do Guarujá, uma cidade com mais de 311 mil habitantes, localizada no litoral paulista.

Partindo desse princípio, se sua região for servida por postos de GNV, a conversão começa a ficar interessante. Afinal, se os reservatórios acabarem, existe a opção de reabastecimento perto de casa. Então, quanto menos se usa gasolina ou etanol, mais se economiza. Em alguns estados, existem incentivos para carros abastecidos com gás, como no Rio de Janeiro, onde o IPVA é de 1,5% do valor do carro, mas há pelo menos dois anos, ainda era de apenas 1%. Um carro flex recolhe 4%.

Com tal incentivo, vale a pena para muita gente ter um carro a gás. Ainda no caso do Rio, como exemplo maior do assunto, a gasolina por lá beira os R$ 5,00 por litro, enquanto o metro cúbico de gás fica na casa de R$ 2,43 ante R$ 4,68, a média de preço do m3 de GNV na região. Então, como a gasolina e o etanol são caros, o gás surge como única alternativa. Em São Paulo, por exemplo, o m3 em média custa R$ 2,23 e a gasolina está na casa de R$ 3,97. Note que os valores médios são até mais em conta, mas o IPVA para este combustível é de 3%. Ou seja, o dobro do oferecido pelo Rio.

GNV vale a pena?

Custo por km

Outro ponto importante para se avaliar se vale a pena ou não usar o GNV é o custo por km e a autonomia com o uso do gás natural. Mas como calcular? Para não termos um nó na cabeça diante de cálculos intermináveis, algumas empresas do setor de gás possuem sites com simuladores de custo para o uso de GNV em comparação com a gasolina, por exemplo.

Utilizamos um desses simuladores – da empresa Delgás – para calcular o custo em combustível numa viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro. O cálculo é feito com base num carro com motor 1.4 litro e com preço da gasolina na casa de R$ 4,10, enquanto o m3 de gás natural a R$ 1,89. O sistema ainda faz uma média de 10 km/litro de gasolina como consumo e 13 m3/km no caso do GNV.

Num percurso de 434 km, o custo ficou em R$ 178,10 na gasolina e R$ 63,15 no GNV. Mas, um carro 1.4 dificilmente fará 10 km/litro na estrada com gasolina. O mais provável é o uso do etanol e nesse caso, com preço de R$ 2,88 (preço médio do etanol em SP capital pela ANP), fica em torno de R$ 125,00. Ainda assim, o GNV é bem mais em conta por ser quase a metade do preço do derivado da cana-de-açúcar.

Como já mencionado acima, o consumo de GNV em um carro vai depender muito do tipo de motor e do dispositivo instalado no veículo. Alguns relatos de donos de carros movidos por gás natural falam em 10 m3/km, o que daria um autonomia média de 150 km, se o cilindro foi de 15 m3, um tamanho bastante comum. Mas é aquilo, isso dependerá apenas do tamanho do cilindro.

No antigo Fiat Grand Siena Tetrafuel 1.4, o consumo médio era equivalente a 18,35 km/m3 e tinha dois cilindros pressurizados que somavam 13 m3 de GNV, o que daria em tese autonomia de 238,5 km. Na estrada, o sedã fazia 22,4 km/m3 ou 291,2 km. Na cidade, os 14,3 km/m3 dariam apenas 186 km.

Com o preço médio do m3 quase a metade da gasolina e bem mais baixo que do etanol, vale a pena se o condutor rodar muito anualmente devido ao custo elevado de instalação do kit gás, que gira em torno de R$ 3 mil a R$ 6 mil. Por isso, quem quer colocar o GNV em seu carro precisa percorrer longas distâncias diariamente para amortizar o impacto da alteração, que vai gerar uma economia de 52% a 66%, dependendo de vários fatores.

GNV vale a pena?

Impacto do Kit Gás

A vantagem de se ter um carro com GNV vem também do custo de instalação de um kit gás, como mencionado acima. Em modelos como o Fiat Grand Siena Tetrafuel, que custava em média R$ 5.000 a mais que a mesma versão a gasolina apenas, o valor de um kit gás também não fica muito atrás, alcançando até uns R$ 6 mil.

Então, para quem roda pouco bem vale a pena, mas para quem precisa estar sempre atrás do volante, como taxistas, frotistas, motoristas de aplicativo e pessoas que moram muito longe de seus trabalhos, a vantagem é gastar menos diariamente e obter um ganho ao final do ano.

Como exemplo, vamos dizer que um carro qualquer roda 1.000 km por mês. Com o m3 do GNV a R$ 1,89 e consumo médio de 20 km/m3, o condutor irá gastar mensalmente R$ 94,50 em gás natural para percorrer essa quilometragem. No etanol com valor de R$ 2,69 o litro (valor encontrado em SP) e consumo médio em torno de 12 km/litro, por exemplo, o custo sobe para R$ 224. Na gasolina, a R$ 3,99 e com consumo de 15 km/litro, o custo será de R$ 266.

Na diferença entre os três exemplos, o GNV economiza R$ 129,50 e R$ 171,50 a cada 1.000 km percorridos em relação ao etanol e gasolina, respectivamente. A diferença é muito baixa, mas se triplicarmos a quilometragem mensal, ou seja, 3.000 km, isso vai para R$ 388,50 e R$ 514,50 mensalmente.

Em 12 meses, o valor cortado com o uso do GNV será de R$ 4.662 em relação ao etanol e R$ 6.174 em comparação com a gasolina. Nesse último, hipoteticamente, em dois anos a economia chegará a R$ 12.348, onde é possível instalar até dois kits de gás de última geração. Mas é claro, isso vai variar de acordo com preço do GNV e dos demais combustíveis, possíveis incentivos locais e a manutenção da quilometragem mensal.

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Instalação

Se a quantidade de km percorridos mensalmente for grande o suficiente para compensar a instalação de um kit gás ou se mora em um estado onde o IPVA é reduzido para GNV, assim como outros tributos locais, então o melhor é buscar a instalação do equipamento em uma oficina credenciada pelo Inmetro. Apesar do peso maior e do custo de instalação, para quem roda em torno de 36.000 km por ano e/ou mora em estados com benefícios fiscais, compensa. 

Nesses estabelecimentos, o instituto nacional verifica desde a execução do serviço até a qualidade dos materiais, dando assim mais garantia de segurança para o consumidor. Um kit gás de quinta geração já dispõe de gerenciamento eletrônico e evita ajustes mecânicos, gerando assim economia e desempenho melhor. Mas, lembre-se, com o GNV, a performance do motor cai naturalmente, por isso motores 1.0 aspirados não são recomendáveis.

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