Jeep Renegade – defeitos e problemas

Jeep Renegade comemora 5 anos e 250 mil unidades vendidas no BR

O Jeep Renegade é um dos utilitários esportivos mais vendidos do Brasil. De janeiro a junho, o modelo emplacou 21.430 unidades, sendo o quarto mais emplacado em seu segmento. Releitura do clássico Willys dos anos 50 e 60, o modelo chegou para transformar a marca americana de uma presença de nicho para um player de volume e peso no mercado brasileiro e até mundial.


Feito em Goiana-PE, o Jeep Renegade chegou com a promessa de trazer de volta o espírito guerreiro do saudoso jipe – que deu até nome à categoria que hoje conta com Troller T4 e TAC Stark, por exemplo – mas com uma missão mista, de agradar tanto os puristas do 4×4 quanto os consumidores que querem estilo para rodar em seu dia a dia na cidade (a grande maioria).

Para isso, o pequeno tanque de guerra – devido sua estrutura bem robusta e linhas quadradas – se valeu de oferecer dois mundos diferentes num mesmo carro, sendo a versão Flex com motor E.torQ Evo 1.8 e diesel Multijet II 2.0, sendo o primeiro originalmente com até 132 cavalos de potência e atualmente com 139 cavalos no etanol, enquanto o segundo sempre com 170 cavalos e um bom torue em baixa.

Nos dois casos, a diferença de proposta vai muito além do motor, passando pelo câmbio automático Aisin de seis marchas no Flex e ZF 9HP de nove marchas no Diesel, que ainda tem tração 4×4 com modos de terreno e uma característica que o transforma num verdadeiro off road, suspensão com bons ângulos de entrada e saída. Porém, o “lado urbano” do Jeep Renegade apresenta um estilo com para-choque diferente, mais baixo, que inclusive é acompanhado de altura livre do solo menor na frente e isso têm gerado reclamações.

Aliás, tema deste artigo, as reclamações sobre o Jeep Renegade não são poucas. Em pesquisa na internet, encontramos relatos de diversos defeitos e problemas com o SUV pernambucano, indo desde vidros que não fecham até problemas graves de travamento do câmbio com o carro engatado na tração 4×4. Mas, acima dessas reclamações, duas são as mais recorrentes no “jipe”: consumo e porta-malas.

Mas então, quais são os defeitos e problemas do Jeep Renegade? Abaixo, falaremos dos mais frequentes, aqueles que realmente os clientes encontraram ou não solução ou que os fizeram trocar de carro.

Jeep Renegade – defeitos e problemas

Motor fraco e câmbio impreciso

Muitos relatos falam de falta de força do motor flex E.torQ 1.8 com proprietários reclamando da lentidão em retomadas e também da imprecisão da transmissão automática Aisin de seis marchas. Segundo um dos relatos, o câmbio fica segurando em segunda marcha durante situações onde era para estar em marcha mais alta, obrigando uma intervenção manual para aliviar a rotação elevada.

Alguns comentam sobre trancos nas trocas de marcha mais curtas e na demora em redução quando se precisa retomar velocidade rapidamente. No caso da versão Diesel, o Jeep Renegade chegou a ter reclamação em site como o Reclame Aqui.

Nesse caso, a transmissão automática ZF 9HP simplesmente travou no sistema de tração nas quatro rodas com reduzida, não retornando ao modo Auto, o que levou o veículo direto para o revendedor. Isso ocorreu três vezes no mesmo carro, que teve ainda duas panes elétricas.

Ainda com relação ao diesel, comenta-se que o motor Multijet 2.0 sofre com o diesel envelhecido, sendo necessário abastecer em postos de alta rotatividade (preferidos dos caminhoneiros) por causa disso. Na mesma versão, um proprietário reclama da troca a cada 20.000 km, sendo que o carro dele já estaria com o nível pela metade do permitido bem antes da próxima revisão, necessitando completar.

Outro relato chama atenção no caso do câmbio automático na versão diesel, que teria aceleração repentina, quando se alivia o pé. Um dos donos levou na concessionária, mas como não resolveram, ele vendeu o carro por conta disso. Já no motor flex, o sistema de desligamento automático do motor, o chamado Start&Stop, não religa o propulsor, sendo necessário faze-lo manualmente.

Pedal do acelerador duro é outra reclamação do Jeep Renegade (veja também proprietários de Jeep Renegade reclamam do câmbio automático) e teve um proprietário que colocou um “enxerto” macio no pedal para ver se ficava mais suave ao acionamento. Falam que é preciso “pisar forte” para fazer o motor responder.

Alto consumo

É algo praticamente unanime aos donos de Jeep Renegade Flex, o alto consumo. Alguns relatam que chega a ser exagerado ao extremo. Há depoimentos na internet com consumo de 4 km/litro no etanol e 6 km/litro com gasolina, ambos quando rodando na cidade. Em geral, a média fica em torno de 6 a 7 km/litro entre os dois, com base na quantidade de reclamações.

Na estrada, porém, o Renegade Flex é tido como com consumo aceitável pelo porte do carro, com alguns dizendo fazer 10 km/litro na estrada com etanol e até 13 km/litro na gasolina.

Como um todo, a versão flex é bastante criticada nesse aspecto, com alguns não recomendando a compra do carro para uso na cidade. Um outro diz que o computador faz o carro entrar na reserva com meio tanque indicado no painel.

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Elétrica complicada

Vários depoimentos de defeitos e problemas falam do sistema elétrico do Jeep Renegade e tem de tudo. O mais corriqueiro é o acionamento dos vidros elétricos, em especial do motorista, que não sobe totalmente ou sobe e desce de imediato.

Também reclamam de rádio ligando sozinho, faróis de neblina que se ligam e desligam sem motivo aparente, alarme dispara e indica arrombamento (isso ocorre com frequência em carros da Fiat…). Tem relatos que falam de limpador parado no meio do curso, mas o mais grave é farol alto ativando sem comando do motorista!

Alguns dos problemas acima foram resolvidos pela rede autorizada, mas outros não, o que motivou reclamações. Há também os que enfrentam problemas com a chave de ignição, que fica presa no contato.

Barulhos e rangidos

Outra fonte de reclamação de defeitos e problemas do Jeep Renegade está relacionada com barulhos e rangidos que incomodam muitos clientes da marca nesse caso do modelo. Os relatos começam com o vidro do motorista. Neles, a reclamação é a mesma: as borrachas de vedação junto ao quebra-vento falso ficam soltas e surge um buraco para o exterior do veículo. Alguns dizem que ela simplesmente rasga nesse local.

Também há relatos de barulhos nos vidros e rangidos durante o acionamento, inclusive com riscos na superfície do vidro. Por mais sólido que o Jeep Renegade pareça ser, alguns proprietários reclamam que as portas produzem “estalos” e que as borrachas de vedação ficam fora de posição, fazendo parecer que elas estão “desalinhadas”. Falam até dos cintos de segurança, mas dentro do revestimento e não a fivela batendo no acabamento, comum em alguns carros.

Ruídos também são ouvidos por motoristas ao esterçar o volante, sendo a solução uma troca da bieleta do sistema de direção, inclusive com eventual folga no volante. Outros barulhos são oriundos da suspensão, sendo que num dos casos, sem solução após visita ao revendedor, o dono vendeu o carro. Comenta-se que os barulhos no conjunto chegam a incomodar e são bem elevados em alguns casos.

Num deles, não especificado o que foi trocado, o proprietário diz que resolveu de início, mas com pouco tempo a suspensão dianteira voltou a “bater”. Por fim, uma reclamação que procede é a suspensão dianteira muito baixa com o para-choque diferente do modelo flex, que raspa facilmente em guias rebaixadas, valetas, depressões e lombadas.

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.