Home Etc Roubo de estepe e a dificuldade para se comprar um novamente

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Outro dia li sobre os itens mais roubados em automóveis e me surpreendi com a porcentagem da quantidade de roubo de estepe. Bem, nesses 30 anos que tenho carro, nunca tive qualquer item roubado, até semana passada… arrombaram o carro e mesmo com alarme, levaram o estepe.

Creio que o prejuízo só não foi maior porque flagramos os ladrões e então eles só conseguiram levar o estepe, não dando tempo de fuçarem no porta-luvas, por exemplo. Embora eu nunca carregue nada de valor no carro, mas eu sempre carrego algumas ferramentas essenciais.

Meu carro em questão é um Fiat Idea 2011. Para abrir o porta malas, forçaram a fechadura do motorista, abriram a tampa traseira pelo botão do painel… Isso foi a noite. Pela manhã vi que o prejuízo havia sido maior: fechadura, lataria da porta e o suporte do estepe. Por incrível que pareça consegui reparar tudo com facilidade no dia seguinte. E o que deveria ser fácil, se tornou uma missão de paciência: comprar um estepe.

Após mais de 10 dias cheguei á conclusão de que o crime compensa, pois além de não haver punição nenhuma para quem rouba, o comércio e a indústria acabam por alimentar esse tipo de roubo e vou contar porque acho isso. Tudo bem, nada que a indústria automobilística faça vai garantir que seu carro não seja aberto.

Moro na região do ABC Paulista, teoricamente cercado de inúmeros comércios de itens automotivos, o que na prática de nada adianta. Liguei para diversas empresas especializadas e quando se encontra o pneu, não se encontra a roda de aço, item básico de um carro.

Você pode comprar facilmente em qualquer loja uma roda “montada e pronta”. Cansei de ouvir: É uma roda seminova, é sua por R$ 300,00. Em outras borracharias encontrei rodas novas, mas sem o pneu. Claro que tudo sem nota fiscal e garantia de procedência.

Não obrigado, tô fora. Não vou comprar um produto que pode ser roubado. Não vou contribuir com essa indústria do crime. Já me sinto roubado diariamente de forma “oficial” pelo governo. Resolvi então ligar para as lojas especializadas, que acho melhor não citar os nomes, mas com certeza foram pelo menos umas 10.

Os valores pedidos são absurdos. Uma delas em Santo André chegou a me pedir exatos R$ 890,00 por uma roda de aço com pneu Pirelli P7! Além do que o atendimento da maioria foi péssimo. Em pelo menos a metade delas não havia a roda e somente por encomenda.

Em uma outra loja de São Caetano do Sul o vendedor disse que só daria a garantia da roda montada se eu realizasse o alinhamento de direção, pois seria necessário caso eu usasse o estepe! Fala sério… Então eu parti para a busca de uma roda nova, mas com pneu Remold.

Doce ilusão, além de ser difícil encontrar, o valor não era nada vantajoso. Uma loja me ofereceu o seguinte: Roda de aço R$ 120,00 + Bico de roda R$ 10,00 + Pneu Remold R$ 130,00 = R$ 260,00, certo? Errado, pois além desse valor eu teria que pagar mais R$ 135,90 pela montagem e balanceamento da roda. Qual a vantagem então?

Concessionárias? Esqueça. Nunca tem a peça e quando você encontra, cai duro, chegaram a me pedir R$ 310,00 por uma roda de aço. Das 15 concessionárias que liguei, só encontrei a roda em uma de Mauá. Pesquisando pela internet encontrei alguns sites vendendo pneus a um preço relativamente atraentes, mas quando você tenta comprar, ou não vendem somente uma unidade, a entrega é somente para 15 ou 20 dias ou o valor do frete acaba não compensando.

Depois de muita pesquisa encontrei um distribuidor em Santo André que me vendeu o conjunto novo montado por R$ 380,00. Perto de tudo o que vi, achei um valor razoável. Pesquisei mas não consegui achar algum outro tipo de pneu que pudesse usar de estepe, como existe em outros países.

Ficar sem estepe não dá, nem ligo tanto para o fato de levar uma multa, mas é um item de segurança e necessário. Cheguei a conclusão de que o governo, a indústria e o comércio contribuem para que as pessoas acabem indo muitas vezes comprar as peças no mercado paralelo, onde não existe procedência ou garantia alguma.

Você que anda pela rua, vê aqueles alguns carros velhos, caindo aos pedaços, mas quando olha para as rodas, pneus, som, fica evidente que aquilo foi roubado, e quem compra esse tipo de produto, não se importa se alguém foi ferido ou mesmo perdeu a vida.

Ou seja: esse tipo de gente não se importa com você, mas está lá no transito, te atrapalhando, doidinho para querer arranjar encrenca ou de olho no que é teu para na primeira “vacilada”… Quem compra produto roubado é tão criminoso quanto quem roubou.

Enfim, de qualquer maneira saímos perdendo e acabamos por nos sentir traídos por termos um governo que não ampara, uma polícia ausente e uma justiça que não funciona. Somos o país da impunidade em todos os níveis. Se não bastasse os altos impostos que pagamos, somos obrigados a conviver com ladrões pé-de-chinelos que só nos causam transtornos e prejuízos… Ainda somos o país da “lei de Gerson”.

Texto do leitor Marco Antonio





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