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Agrale: Quem disse que o Brasil não tem uma montadora 100% nacional?

Agrale: Quem disse que o Brasil não tem uma montadora 100% nacional?

Agrale TX 1100


Um dos maiores desejos do brasileiro é ver uma montadora de veículos 100% nacional. No entanto, isto não pode ser generalizado, visto que já temos um fabricante totalmente nascido e criado no país.

Quem? A gaúcha Agrale.

Tudo bem, ela não produz automóveis, o ponto central da questão. Mas, a empresa fabrica caminhões, ônibus, chassis, tratores, motores e também utilitários 4×4.

A gaúcha já fez mais que isso e até chegou a produzir motocicletas no passado.

Agrale: Quem disse que o Brasil não tem uma montadora 100% nacional?

Agrale Marruá em versão militar

Fundada em 1962 por Francisco Stédile, a Agrale nasceu em Caxias do Sul, uma das grandes cidades industriais da região sul do Brasil.

Com 51 anos de estrada, a empresa foi originalmente chamada AGRISA e começou construindo tratores da marca alemã Bungartz e depois Deutz-Fahr.

Veja também: Gurgel, uma montadora brasileira que surgiu de um sonho

Seguindo forte no segmento de tratores pequenos, a Agrale foi abrindo caminho no meio rural e solidificando suas bases, até que em 1982 iniciou uma nova fase: comercialização de caminhões leves.

O primeiro modelo era o TX 1100, que era baseado em um modelo da Fiat na Itália. Ele era equipado com motor diesel da própria Agrale, mas com apenas dois cilindros e chegou a vender 200 unidades no primeiro ano.

Agrale: Quem disse que o Brasil não tem uma montadora 100% nacional?

Caminhões atuais dos segmentos médio e leve

Pouco tempo depois, a Agrale lançava mais dois modelos de caminhões, os 1600 e 1800.

A partir daí, a montadora de veículos de Caxias do Sul foi ampliando gradualmente sua linha de caminhões leves, embora em ritmo bem mais lento que os grandes fabricantes estrangeiros instalados no país.

Paralelamente, a Agrale – sempre com um dos pés na Itália – trouxe ao Brasil uma parceria com a Cagiva.

De 1984 a 1997, a empresa produziu motocicletas em parceria com a italiana, destacando-se principalmente no segmento off-road, especialmente enduro.

Os modelos SXT e Elefant são lembrados por entusiastas até hoje.

Agrale: Quem disse que o Brasil não tem uma montadora 100% nacional?

Chassi midibus MA 12.0 com piso baixo e suspensão pneumática

Apesar dos caminhões leves e das motocicletas, a linha de tratores agrícolas continuava sendo o forte da empresa, gerando cada vez mais séries de modelos com várias potências, pesos e aplicações.

Passado algum tempo, a Agrale percebeu que precisava entrar no segmento de ônibus e iniciando no segmento de micro-ônibus em parceria com a gigante Marcopolo, também de Caixas do Sul, criando assim a Volare em 1998.

Em 2004, o fabricante gaúcho produziu 5.000 chassis.

Foi a partir das vendas de caminhões leves e micro-ônibus, que a Agrale iniciou um processo de inovação nos dois segmentos.

Ela foi a primeira a fabricar um cavalo-mecânico leve, o 8500 TR, que logo foi a preferência de muitas autoescolas que ministravam cursos de certificação para motoristas de carreta.

No setor de transporte de passageiros, que a gaúcha chegou a ditar moda no mercado.

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Trator agrícola de modelo atual

Ela lançou um produto do segmento midi, que é um misto de micro-ônibus com ônibus de porte médio. O veículo foi aceito em várias empresas e outros fabricantes começaram a perceber também esse nicho.

Não satisfeita, a Agrale lançou este tipo de chassi (MA 12.0) com motor traseiro, suspensão pneumática e até piso rebaixado, sendo características vistas apenas em chassis pesados.

Outro grande passo da Agrale foi a parceria com a Navistar, passando a montar no Brasil os caminhões americanos da International, destacando-se o 9800D.

Mais recentemente, a empresa passou a fazer caminhões do segmento médio e até lançou uma nova linha com cabine mais moderna.

Outro campo de atuação da Agrale é o militar, sendo fornecedor tradicional das forças armadas do país e também no exterior.

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Agrale Elefant 27.5 e 30.0

Recentemente a Agrale passou a produzir versões civis e militares do utilitário 4×4 Marruá, assim como versão para forças armadas de seus caminhões.

No segmento de ônibus, atua apenas nas categorias minibus e midibus, além de transporte de valores. Motores, geradores estacionários e tratores continuam sendo uma parte importante da empresa.

Com mais de 100.000 caminhões e 100.000 motos fabricados ao longo dos anos, por exemplo, a Agrale continua firme no disputado mercado de caminhões e ônibus, que continua sendo liderado por fabricantes estrangeiros.

Em 2013, a gaúcha ficou em 9º lugar entre os caminhões e em 7º no segmento de ônibus (Marcopolo/Volare em 3º).

Sendo 100% nacional, a fabricante de Caxias do Sul tem atualmente 4 fábricas, sendo 3 no Brasil e 1 na Argentina. O mercado externo é de grande importância para a marca.

Enfim, se ainda não temos carros, pelo menos os demais já não precisamos desejar mais.

Galeria de fotos da Agrale:

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

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