_Destaque _Featured Avaliações Renault SUVs

Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

renault-captur-intense-avaliação-NA-1 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

O Renault Captur chegou, antes tarde do que nunca. Enquanto o Duster é espartano, o novo utilitário esportivo da marca francesa aposta no estilo que o romeno deveria ter e, assim, une beleza e robustez, um casamento que seria perfeito no Brasil, se não houvesse alguns detalhes não muito agradáveis em seu projeto e proposta.



Tomando como base o belo Captur francês, que é menor, o SUV da Renault ganhou um “K” a mais em tamanho, porta-malas e resistência para agradar na Rússia. É essa proposta – ou quase toda ela – que chegou ao Brasil. Um SUV maior, aparentemente mais espaçoso e pronto para ocupar uma faixa acima do Duster.

renault-captur-intense-avaliação-NA-32 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

O visual realmente é interessante, mas parece que chegou antes do previsto pela Renault no Brasil, que aparentemente não teve tempo de – ou não quis – desenvolver motor e transmissão adequados ao modelo. A oferta até agora é de um 1.6 manual e um 2.0 com um longevo e inadequado automático de quatro marchas. O 1.6 CVT chega nos próximos dias para quem sabe ser o salvador da pátria. Mas ele ainda não completa a gama, que terá mais adiante o esperado (e desejado pela Renault) 1.6 TCe ou SCe com turbo.

Enquanto ele não chega, o Captur 2.0 serve de tampão com seus bons 148 cv e 20,9 kgfm quando com etanol, mas limitado pela caixa automática. Ele e a proposta de acesso deram até maio 3.346 emplacamentos, colocando o utilitário esportivo da Renault em 13º no ranking dos SUVs no mercado nacional.

Da mesma época, o Creta vendeu 13,8 mil e o WR-V outros 4,3 mil. Os números refletem a falta de opções do franco-brasileiro, especialmente da versão 1.6 CVT. Mas será somente isso? Avaliamos o topo de linha Intense 2.0 AT4 que custa (após reajuste por conta da nova versão 1.6 CVT) R$ 91.900 e R$ 93.300 com pintura com dois tons. Essa opção tem bons itens por conta de seu preço, mas o recheio vem no meio de duas fatias que poderiam ser mais saborosas.

renault-captur-intense-avaliação-NA-10 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Por fora….

Alguns podem discordar, mas o Renault Captur é um dos utilitários esportivos mais bonitos do mercado nacional. Ele é longo e passa uma impressão de ser baixo, tendo um generoso entre eixos – 2,67 m, o maior do segmento – além de balanço dianteiro curto. Com isso, os ângulos de entrada e saída são bons, assim como a altura em relação ao solo.

O visual é agradável e conta com faróis dotados de projetores tipo canhão, LEDs diurnos incorporados ao para-choque e até faróis de neblina de LED, que contrastam com um conjunto ótico com lâmpadas comuns. Há função de conversão estática também.

renault-captur-intense-avaliação-NA-38 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

A grade rebaixada na parte central e os LEDs em “C” dão um aspecto bom ao frontal do Renault Captur. O capô é curto, enquanto teto, retrovisores e colunas são pintados de preto. O uso de dois tons ajuda a dar uma impressão visual mais marcante ao Captur, porém, é opcional por R$ 1.400. Na traseira, as lanternas são compactas e dotadas de vincos triplos em “C”.

Detalhes cromados na tampa do porta-malas e para-choque dão um ar mais chique ao Captur Intense, assim como nas laterais. As rodas de liga leve aro 17 também apresentam um bom aspecto. Chama atenção as formas lisas e curvadas para dentro nas laterais. Mas, nem por isso o SUV passa perto de ter problemas com impactos laterais. Recentemente ganhou 4 estrelas no Latin NCAP.

renault-captur-intense-avaliação-NA-43 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Por dentro….

Essa solidez vista no crash test não é por acaso. Basta abrir e fechar as portas para perceber que o Renault Captur tem uma boa rigidez estrutural. Ao entrar, o interior – nesta versão de cor branca com preto – dá as boas-vindas com uma bela padronagem em dois tons, sempre remetendo ao exterior. O ambiente é claro e convidativo.

Diferentemente da versão com bancos em couro preto, o Captur Intense 2.0 com bancos em tecido/couro tem um ambiente interno mais chamativo, já que os assentos possuem tons de branco e cinza no couro das laterais e malha branca sobre fundo escuro na parte central. Mas não fica por aí.

renault-captur-intense-avaliação-NA-62 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Embora a parte superior dos bancos seja em couro cinza escuro, a parte inferior do painel e metade das portas também é em cor branca, enquanto teto e colunas são na cor bege. O banco traseiro chega a ter o terceiro lugar em couro cinza escuro, enquanto as portas têm apenas apliques brancos. A versão toda em couro tem aspecto mais luxuoso, mas não tão atraente e ainda custa mais: R$ 1.500.

O painel tem um cluster análogo-digital bem resolvido e de boa leitura. Tendo indicador de função Eco, além de computador de bordo. Na parte central, um acabamento em preto brilhante com cromados envolve a multimídia Media Nav 2.0 e o ar-condicionado automático.

renault-captur-intense-avaliação-NA-48 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

A primeira tem GPS de difícil manuseio. Bastou tocar na tela durante a condução e a navegação fica comprometida. Também foi difícil localizar uma cidade em específico, acabando por cair em um bairro de outro estado. A pontuação para condução eficiente ajuda a buscar mais economia, assim como os dados de desempenho. A câmera de ré é um item importante em um SUV com seu porte. O resto se resume a conexões USB, auxiliar e Bluetooth.

O segundo é eficiente e gela rapidamente o interior. Não há difusores de ar na traseira, mas o sistema cumpre razoavelmente seu papel nesta área do carro. O painel conta com um porta-objetos na parte superior, mas peca pelo pouco espaço para copos no console, onde há uma fonte 12V. Logo acima, os destaques do Captur: botão de partida e slot para a chave-cartão. Não é necessário ligar com o carro com ela encaixada, mas é bom deixa-la carregando por lá.

renault-captur-intense-avaliação-NA-46 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

O volante tem bom aspecto e empunhadura, mas vem com dois inconvenientes. O primeiro é somente ter ajuste em altura. O segundo é ter piloto automático e limitador em três comandos. Esse é um infeliz padrão da Renault, onde a ativação dos dois é feita sob a alavanca do freio de mão. É ali também que fica o comando da função Eco. Na direção, de um lado o ajuste da memória e do outro, a de velocidade. O ajuste de áudio fica na coluna, sendo infelizmente o mesmo de Logan e Sandero.

As portas têm acabamento parcial em couro e preto brilhante, assim como vidros one touch e rebatimento elétrico dos retrovisores, mas sem indexação com as travas. Os comandos ficam em boa posição no geral. Bom também é o espaço do porta-luvas, que é iluminado. O condutor ainda tem ajuste em altura do banco e apoio de braço individual. Atrás, o banco bipartido é completo, incluindo Isofix e cinto de três pontos no meio.

renault-captur-intense-avaliação-NA-77 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Mas, o espaço não é bom. Com uma plataforma de 2,67 m, o Captur obrigatoriamente tinha de ser generoso para as pernas de quem vai atrás, mas não é. Ele é bem mais apertado nesse sentido que o Duster. Mas o problema nem está no banco, mas na manobra da Renault para aumentar o porta-malas.

Sim, o banco foi empurrado para frente, a fim de que o bagageiro tivesse seus 437 litros garantidos. Isso acontece porque o projeto do Captur “russo-brasileiro” é baseado no Duster, que tem estepe e tudo sob o assoalho, na parte externa. Assim, raso, o compartimento de bagagens foi horizontalizado. Em outras palavras, o SUV privilegiou as malas em detrimento das pessoas. Nada bom.

renault-captur-intense-avaliação-NA-31 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Por ruas e estradas….

O Renault Captur 2.0 apresenta um desempenho que poderia ser melhor para um SUV de porte compacto. O propulsor 2.0 16V tem concepção mais antiga, mas entrega 143 cv com gasolina e 148 cv com etanol, ambos a 5.750 rpm.

Os torques ficam na casa dos 4.000 rpm, sendo 20,2 kgfm com gasolina e 20,9 kgfm com etanol. São números bons e respeitáveis. O motor tem boa força em baixa rotação e não reclama de rotações elevadas.

Nas respostas ao acelerador, porém, o 2.0 Flex fica à mercê do câmbio automático de quatro marchas, que limita seu potencial e eficiência. De funcionamento suave e produzindo um baixo ruído, o propulsor trabalha com relações longas e pede marchas por volta de 2.000 rpm. Mas, logo fica evidente que alto giro é necessário para manter o embalo, chegando a altos 2.800 rpm em 110 km/h.

renault-captur-intense-avaliação-NA-80 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Ainda assim, ele responde bem nas saídas mais vigorosas, enquanto as retomadas são apenas medianas. Mesmo no modo Eco, o 2.0 tem disposição para mover os 1.352 kg do Captur. Já o câmbio estica ao máximo a marca para oferecer uma performance adequada. No modo Sport, as rotações alcançam facilmente os 5.000 rpm, mas sem a resposta devida, por sua limitação de marchas.

Numa subida de serra, a rotação fica na casa dos 3.500 rpm em terceira, caindo para 2.500 rpm em quarta quando o piso fica um pouco mais plano. E assim o câmbio vai variando as marchas para manter o Captur em 100 km/h. Na cidade, porém, as quatro marchas fluem suficientemente, com um giro médio entre 1.500 e 2.000 rpm.

As trocas manuais são possíveis na alavanca, mas não dá para ir muito além em uma tocada esportiva. Se utilizasse um câmbio CVT, teria um funcionamento mais linear e melhor aproveitamento de potência e torque do motor. Mas essa oferta poderia matar em parte a proposta do 1.6 CVT, que será de mais eficiência e conforto.

renault-captur-intense-avaliação-NA-65 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Com esses detalhes, o Renault Captur 2.0 fez 6,5 km/litro na cidade e 9,9 km/litro na estrada, ambos com etanol. Na gasolina, 8,5 km/litro no ciclo urbano e 12,3 km/h no rodoviário. Todos com modo Eco ligado. Sim, muito provavelmente seriam melhores no CVT, sem dúvidas. As trocas de marchas não são muito suaves e ao engatar Drive ou Ré, notamos um pequeno tranco.

Ao volante, o Renault Captur apresenta posição de dirigir razoavelmente confortável, já que não há um ajuste de profundidade e a posição de dirigir é bem elevada. Assim, condutor de estatura alta terá que gastar algum tempo adaptando-se. Logo de cara, pode-se notar uma repentina redução no funcionamento do motor ao se esterçar completamente a direção.

O sistema é eletro-hidráulico, consumindo assim energia do propulsor e do condutor, já que é bem pesado em comparação com um sistema hidráulico comum e muito mais em relação ao elétrico, que deveria ter sido usado no Captur e nos demais modelos da Renault. Já os freios atendem bem.

renault-captur-intense-avaliação-NA-51 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

No caso da suspensão, o Renault Captur pode comemorar a parte boa do DNA do Duster. O conjunto tem um bom ajuste entre maciez e estabilidade. Na estrada, a suspensão do modelo garante conforto ao rodar, sendo bem estável nas curvas e oferecendo tranquilidade em desvios rápidos de trajetória.

Mas, é nos pisos ruins e na buraqueira brasileira que o Renault Captur revela bons atributos. O SUV roda com desenvoltura em estradas com asfalto destruído, passando por buracos, valetas e pedras com conforto e sem bater no fim do curso.

Durante a avaliação, fomos obrigados a passar por trechos em obras, onde o pavimento nem existia mais, contando ainda com pedras e bloquetes soltos. Nesse ambiente, o Captur 2.0 saiu-se muito bem. Com o carro carregado de pessoas e bagagens, o SUV da Renault em nenhum momento raspou o fundo em lombadas grotescas, encontradas pelo caminho.

renault-captur-intense-avaliação-NA-78 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

O trabalho do McPherson na frente e do eixo de torção atrás foi cumprido. O conjunto apresentou robustez e conforto esperados em um SUV, mesmo contando com rodas aro 17 polegadas, calçadas com pneus 215/60 R17. Em cruzamentos de ruas com depressões como calhas de água, nada de raspão na frente do Captur. O modelo vem de série com controles de tração e estabilidade, bem como assistente de partida em rampa.

De modo geral, o conjunto de suspensão do Captur se mostrou tão bom quanto do Duster, sendo recomendado para quem tem que enfrentar vias com pouca ou nenhuma conservação. No mais, CVT, direção elétrica e ajuste longitudinal da direção já seriam um ganho enorme.

renault-captur-intense-avaliação-NA-33 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Por você….

O Renault Captur mostra mais uma vez que não se pode ter tudo, especialmente no mercado brasileiro. Não estamos falando em itens de conforto ou mesmo de segurança, mas em relação aos benefícios que o projeto pode oferecer ao cliente, dadas as suas características.

O estilo é interessante e atrai pela mescla de tons e linhas bem sinuosas. O Captur parece grande e realmente é, ainda mais se considerarmos o seu entre eixos. No entanto, todo esse comprimento não é aproveitado pelo veículo. Falta um porta-malas mais profundo, que compense trazer de volta o banco traseiro e dar aos passageiros deste o espaço merecido.

renault-captur-intense-avaliação-NA-37 Avaliação: Renault Captur falha em eficiência e espaço

Não adianta ter o maior entre eixos e um dos menores espaços. Nem dá para comparar com o Honda WR-V, por exemplo, que tem 33 cm a menos no comprimento e 12 cm menos em entre eixos. O próprio Duster mostra, com seu acabamento frugal, que ninguém vai reclamar de espaço interno. Talvez com exceção desse detalhe, os demais apontados como deficientes no Renault Captur 2.0 podem ser corrigidos sem intervenção na plataforma.

Vamos esperar mais algum tempo e ver se um possível 1.6 Turbo CVT muda para melhor a performance e a economia do modelo. Pelo que podemos perceber, o Intense com motor 2.0 e câmbio automático de quatro marchas não era exatamente o que a Renault queria para o seu mais bonito SUV. Nem nós. Vale? Não, infelizmente. Mas nada está perdido, ainda. Logo mais o 1.6 CVT chega e aí veremos se este será mais viável.

Medidas e números….

Ficha Técnica do Renault Captur Intense 2.0 AT4 2018

Motor/Transmissão

Número de cilindros – 4 em linha, flex

Cilindrada – 1.998 cm³

Potência – 143/148 cv a 5.750 rpm (gasolina/etanol)

Torque – 20,2/20,9 kgfm a 4.000 rpm (gasolina/etanol)

Transmissão – Automática com quatro marchas e trocas manuais na alavanca

Desempenho

Aceleração de 0 a 100 km/h – 174/179 km/h (gasolina/etanol)

Velocidade máxima – 12,0/11,1 segundos (gasolina/etanol)

Rotação a 110 km/h – 2.800 rpm

Consumo urbano – 6,5/8,5 km/litro (etanol/gasolina)

Consumo rodoviário – 9,9/12,3 km/litro (etanol/gasolina)

Suspensão/Direção

Dianteira – McPherson/Traseira – Eixo de torção

Eletro-hidráulica

Freios

Discos dianteiros e tambores traseiros com ABS e EDB

Rodas/Pneus

Liga leve aro 17 com pneus 215/60 R17

Dimensões/Pesos/Capacidades

Comprimento – 4.329 mm

Largura – 1.813 mm (sem retrovisores)

Altura – 1.619 mm

Entre eixos – 2.673 mm

Peso em ordem de marcha – 1.352 kg

Tanque – 50 litros

Porta-malas – 437 litros

Preço: R$ 91.900 (base), R$ 93.300 (versão avaliada)

Renault Captur Intense 2.0 AT4 2018 – Galeria de fotos

Leia avaliações, notícias sobre carros e compare modelos em NoticiasAutomotivas.com.br.

4.0

Quem somos

O Notícias Automotivas é um dos maiores sites automotivos do Brasil, trazendo todas as novidades sobre carros por mais de 11 anos. Saiba mais.

Notícias por email

Send this to a friend