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Carro da semana, opinião do dono: Fiat Palio EX 2001

Carro da semana, opinião do dono: Fiat Palio EX 2001

Olá pessoal do NA. Me chamo Ronaldo Viana e hoje escrevo sobre a convivência com meu primeiro carro, um Fiat Palio EX 2001, que recentemente troquei por um VW Fox (que pretendo falar mais adiante).


Na época da compra, já estava considerando um popular de motor 1 litro, de preferência dos mais conhecidos, tais como o VW Gol, Ford Fiesta Street e Palio. Cheguei a ver outros na época, como um Renault Clio completinho e o Peugeot 206, mas como eram modelos ainda não tão estabelecidos no mercado, achei melhor não arriscar.

A fama de frágeis e de manutenção cara dos franceses (aliados a certa dificuldade de revenda na época) me fez escolher entre os modelos das “4 grandes” do mercado. A princípio estava mais inclinado ao Fiesta Street. Como sempre leio sobre carros, já vi vários elogios ao motor Zetec e ao bom acabamento do Ford.

O fraco do carrinho era o design, que conta muito pra mim (não adianta o carro ser bom e barato, se eu não o achar bonito, eu não compro). Acabei ficando com o Palio, comprei de particular na época e estava tão de saco cheio de procurar, que acabei levando ele sem mal testá-lo.


Não me arrependi. O carro ficou comigo por pelo menos uns 6 anos e nunca me deixou na mão. Mas por ser um carro 2001, ele tinha seus problemas.

Carroceria

O meu Palio era o da segunda reestilização, lançado em 2000. Acho esse o mais bonito dos Palio lançados ainda da primeira geração (teve quatro reestilizações, que não contam como gerações). Apesar de não ter mudado muito em relação ao primeiro modelo, seu desenho é mais elegante.

O meu tinha quatro portas e rodas de liga aro 14, que serviam muito bem ao carro, nem muito grandes, nem muito pequenas, além de insulfilm nos vidros e para-choques na cor da carroceria, um verde escuro metálico muito belo também.

O painel recebeu um novo desenho no console central com moldura clara, novas saídas de ar e o revestimento das portas não deixava a lataria exposta como na primeira versão.

Mesmo sendo um popular antigo, não parecia despojado e descuidado como um Mille, por exemplo. Com o tempo, a pintura queimou bastante no teto, um pouco na tampa traseira e, como em todo carro de cor escura, riscos e batidinhas na lataria ficavam mais aparentes. As borrachas dos vidros, que pareciam novas ainda, deixavam infiltrar água principalmente nas portas traseiras.

O acabamento era bom, com um plástico que não risca fácil (e não parece fino e frágil demais), sendo até superior ao de alguns carros mais caros. A tampa do porta malas do meu era meio desalinhada, mas não comprometia a abertura/fechamento dele e a carroceria como um todo era bem montada assim como a pintura.

Vida a Bordo

O Palio é um carro macio, que privilegia o conforto. O meu era básico, tinha apenas limpador e desembaçador do vidro traseiro, travas elétricas e alarme, além das rodas de liga leve (que não eram originais do carro).

Achava a posição de dirigir boa, mesmo sem regulagens de banco e direção, mas o espaço entre os assentos da frente era pequeno, sempre esbarrava a mão na perna de que estava do lado ao trocar as marchas.

Também poderia ter mais porta-objetos, principalmente nas laterais das portas. Comparado ao Gol, sempre achei o Palio superior. Mesmo sem assistência hidráulica, a direção era leve, até em manobras não era tão pesada quanto o Gol G3 de mesmo ano que meu irmão tinha.

O acionamento dos comandos era mais suave, assim como o fechamento das portas. E a dianteira do Palio é mais curta, tornando-o mais fácil de manobrar, não se tem a impressão de “barca”, que motor longitudinal do Volks passa para quem dirige.

Os comandos são de fácil acesso, o quadro de instrumentos é simples, mas de boa leitura e a visibilidade era ótima também. O câmbio é que era meio vacilão. Os engates eram longos e havia uma certa dificuldade ao se engatar a primeira marcha em alguns momentos. Os engates curtos do Gol eram mais precisos.

Os bancos eram apenas bons. Como já era um carro mais velho, eles começaram a descosturar e rasgar em pequenos pontos e, em viagens, cansavam um pouco as costas.

A suspensão absorvia bem os impactos e fazia o carro parecer mais leve do que era mas, com o acerto mais macio do conjunto, fazia a carroceria “rolar” um pouco nas curvas mais fechadas.

Carro da semana, opinião do dono: Fiat Palio EX 2001

Desempenho e Consumo

O motor 1.0 Fire a gasolina rende apenas 55 cv. Não sei quanto tem de torque, mas o Palio era bem esperto nas saídas de sinal e, trabalhando bem as trocas de marcha, até nas ultrapassagens. Mas como quase sempre ando sozinho, fazendo os mesmos trajetos, aprendi a conduzir de forma a aproveitar bem o motor.

Já com o carro carregado a coisa muda. E muda muito. Com quatro pessoas, o Palio sofre tanto para embalar como para frear.

Já cheguei a pedir para meu irmão levar duas pessoas no carro dele para não encher demais o meu, que já estava carregado, pois dirigir assim é até meio irritante. As trocas de marcha são constantes e é difícil sair das primeiras, pois o carro sempre precisa de força.

Mas para andar sozinho ou realizar tarefas simples do dia a dia, é mais do que suficiente. O consumo também era muito bom. Acredito que fazia uns 12 km por litro na cidade, talvez até um pouco mais. Digo isso por que acabei de trocar por um Fox 1.0 também. Este é bem beberrão e nem tão mais ágil que o Fiat.

Depois de um tempo, nem revisões fazia mais, ou seja, o carro devia estar bem desregulado, pois perdeu bastante desempenho comparado a quando eu o comprei. Ainda assim o achava ágil, embora quase sempre andasse sozinho e sem levar qualquer carga.

O Palio tinha um problema que, segundo o mecânico, foi por maus cuidados com o carro. Já li que o Palio Fire baixa muito o óleo e esse era o caso do meu. Sempre tinha que completar o óleo, pelo menos a cada 5 mil km.

Já houve situações em que o carro estava quase sem óleo algum. Então, começou a “fumar” óleo também, algo que acho até normal para um carro com 15 anos. Mas se o antigo dono tivesse cuidado melhor, talvez não sofresse desse problema.

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Manutenção

Não chegou a dar problemas com frequência, mas quando deu, não saiu barato. Quando comprei o carro, o marcador de combustível estava doidão e apontava qualquer coisa. Ficava girando e não indicava nada direito. Já cheguei a abastecer com o tanque quase cheio, achando que estava na reserva.

Troquei a boia e ele voltou ao normal, mas tinha a mania de marcar menos combustível do que tinha no tanque. Ainda assim, passava alguma precisão.

Na primeira vez que precisei levar ao mecânico, houve um vazamento de óleo. Aproveitei para trocar correia dentada e outras peças que nem lembro. Mas foi tanta coisa que a conta não fechou em menos de 1.000 reais. O mecânico disse que por baixo o motor estava todo sujo de óleo e foi aí que ele me alertou para os maus cuidados do antigo dono.

Meu irmão estava com o carro e um dia, o marcador da temperatura subiu de repente. Não lembro exatamente qual o problema, mas não foi algo grave. Da segunda ida ao mecânico, foi a vez da bomba de água, que teve que ser trocada, além de um vazamento de óleo perto do câmbio e outras coisas.

Certa vez estava viajando e o carro perdeu potência. Não andava de jeito nenhum fora da primeira marcha. Desliguei o carro e liguei novamente. Andei um pouco e ele foi voltando ao normal. Depois disso não aconteceu mais (e o mecânico não soube identificar o que era).

Depois dessa, evitei viajar com ele. A embreagem fazia um barulho estranho quando pressionada, então troquei o disco e outras peças, voltando ao normal. O motor dava umas engasgadas, uns “soquinhos” desde quando eu o comprei e nem mesmo o mecânico resolvia o problema por completo.

Eu estava trocando os pneus num outro momento e o técnico me ofereceu um óleo, algo desses que limpam o motor. Magicamente ele voltou ao normal depois de anos! Se o carro ficasse na chuva por um tempo, ao sair ele fazia um pequeno ruído, aparentemente na roda traseira. Sumia segundos depois.

Belo dia fui trabalhar e um barulho metálico bem forte começou a surgir. Até quem estava na rua ouviu. Fui andando devagarzinho até o mecânico para ver o que era, mas ele sumiu. Chegando lá ele não soube dizer o que aconteceu, precisaria andar com o carro e ouvir o tal ruído, para assim diagnosticar o problema. Mas, assim como a falta de potência, o ruído não apareceu novamente.

Anos depois eu estava vendo a suspensão e tive que trocar quase tudo. O antigo dono NUNCA mexeu nela, sendo que os amortecedores ainda eram os originais de fábrica! Nessa conta foi uns 1.200 reais, mas fiz ela toda.

Troquei até mesmo os coxins do motor, mexi em freios e tudo mais. O carro ficou outra coisa. Segui o exemplo do cara de quem comprei o carro e nunca mais mexi nela também.

Ele apresentou também algumas coisinhas na parte elétrica. As setas traseiras, se acionadas junto com as luzes ligadas, ficavam malucas, piscavam juntas com a luz de freio no meio e até as luzes de ré.

Já vi acontecer em outros Fiat e um técnico me disse que era comum nos Palio. A resolução era simples e barata, mas depois de um tempo voltou a acontecer com a seta esquerda.

A luz de freio parou de funcionar junto com a buzina, ventilador e farol alto. Esse último descobri da pior forma: viajando a noite, meio perdido e sozinho numa estrada que nunca tinha andado. Um breu total.

Carro da semana, opinião do dono: Fiat Palio EX 2001

Convivência

Todos esses problemas me fizeram um condutor melhor: Saía dos estacionamentos com a maior atenção e me certificava de que não tinha ninguém vindo, já que meu carro não sinalizava a ré. O mesmo para o pisca esquerdo: freava bem antes da curva e entrava lentamente. Só dava a seta quando não pisava no freio, pois fazendo isso junto, as luzes ficavam malucas e podiam confundir quem vinha atrás.

A falta da buzina me ensinou a ser mais paciente e a andar mais devagar. Tolerava as fechadas sem reclamar, já que não podia buzinar (mas continuava xingando forte os barbeiros na cabeça). A falta do ventilador me fez perder uns quilos (de tanto suar) no longo prazo, pois a cidade que eu moro é desgraçadamente quente e não gosto muito de andar com vidro aberto.

A trava elétrica não travava direito as portas, cheguei a trocar os motores de todas, mas anos depois deu problema novamente. Não mexi mais, travava o carro na chave mesmo. Falando nela, comecei a ter dificuldades para ligar o carro, achava que o miolo da ignição tinha danificado.

Mandei fazer uma nova (por que o plástico onde você a segura quebrou) e não tive mais esse problema para ligar.

A luz do freio de mão acendia às vezes, quando com o carro em movimento. Era o fluído de freio que precisava ser trocado (fiz isso uma vez), mas o carro sempre freou muito bem mesmo assim. Os alto-falantes deram mau contato e acabei retirando o rádio do carro, pois um belo dia ele simplesmente não queria desligar, retirei ele todo e nunca mais coloquei outro no lugar.

O painel da porta do passageiro dianteiro começou a descolar e várias pecinhas de plástico do painel, ou quebraram, ou saíram do lugar devido ao sol. O acionamento da seta, principalmente para esquerda, começou a não querer parar no lugar, tinha que ficar segurando a haste para ela não voltar antes da hora e desligar o pisca.

A luz de cortesia não mais ligava ao se abrir a porta. O tampão do porta malas quebrou e os pinos laterais ficavam meio soltos. O amortecedor da tampa não mais sustentava a mesma (devo ter uns 3 cortes na cabeça de tanto que essa tampa caiu nela).

Se você está lendo isso e pretende adquirir um Palio, não se assuste com esse monte de coisas. É um ótimo carro, mas dê uma boa olhada nesses quesitos antes de fechar negócio. Esses problemas são comuns num carro antigo como ele, mas certamente, se melhor cuidado pelo dono anterior, terá bem menos manutenção.

Mercado

Outro ponto positivo do Palio: tem muita oferta e procura. Não cheguei a anunciar o meu para venda particular, mas negociando nas revendas, na troca por outro carro, me ofereceram até 8.500 reais (mais umas coisinhas como transferência grátis, etc.). Na tabela Fipe, o meu carro era avaliado em 11.000 reais, mas claro que ninguém em loja pagaria isso.

Achei o valor bom, olhando o carro, não dava mais do que 6.000 reais (ele estava bem feio mesmo). Algumas lojas não aceitaram pegá-lo, alegando estar mesmo com muitas coisas para arrumar e outras até encheram um pouco o saco, a fim de fechar negócio logo.

Como tem muitos modelos, com muitas motorizações, ao comprar um Palio você deve mesmo pesquisar muito. Tem uma ou outra versão que é mico e outras muito procuradas. É fácil encontrar carros em bom estado, mas tem muitos realmente mal cuidados por aí.

Em todo caso, a manutenção é sempre barata, todo mecânico conhece bem o carro e tem peças de reposição sempre, exceto a palheta do limpador traseiro. Este não tem refil, então você tem que trocar todo a haste. De resto não tive problemas com falta de peças.

Veredito

Um ótimo carro para famílias pequenas, mas recomendaria nesse caso um 1.3, que não é tão mais caro. Para o meu perfil, serve muito bem. Ele tem manutenção barata, mecânica confiável e algum conforto. Só não troquei por outro Fiat porque apareceu um bom negócio, a troca pelo Fox. Mas terei outro Fiat com certeza.

Por Ronaldo Viana.

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