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Diferença entre potência e torque (2 exemplos práticos)

Diferença entre potência e torque (2 exemplos práticos)

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Qual é a diferença entre potência e torque?

Na prática, o cavalo representa potência (medida em cavalo-vapor) e pode ser resumido como o principal responsável por fazer um carro ganhar velocidade. Já o torque (medido em kgfm – quilograma força metro – em nosso País) pode ser entendido como o responsável por entregar força. Tanto é que a potência costuma ser mais importante para automóveis, enquanto os caminhões, ônibus e demais utilitários demandam mais torque.

Bem, mesmo que você tenha pouquíssimo conhecimento sobre automóveis, provavelmente sabe que o motor de um veículo oferece dois principais rendimentos: cavalo e torque.

O que é torque?

O conceito “torque” pode ser definido como à força produzida por corpos em rotação, como também a força que faz objetos virar. Como exemplo, no momento em que você usa uma chave de roda para apertar as porcas das rodas de um automóvel, você aplica uma determinada força para gira-la e, assim, apertar os componentes, criando um torque sobre eles.


Todavia, se esta porca não dispor de resistência ao movimento torcional, o resultado será torque zero. Já se a resistência for elevada, o torque também será maior.

Ele pode ser medido em libra-polegada ou libra-pé, além do Newton-metro seguindo o Sistema Internacional de Unidades SI. Como citado anteriormente, em nosso País o comum é o quilograma força metro (kgfm), que une uma unidade de força (quilograma força) e uma de comprimento (metro).

O torque abrange dois componentes: força e distância. A primeira é multiplicada para calcular a força aplicada, pela distância medida entre o ponto de aplicação e o centro do eixo de rotação.

Por isso você pode ter reparado que uma oficina mecânica utiliza chaves de dimensões avantajadas para apertar as porcas das rodas de um caminhão: quanto maior for o braço da chave, menor a força aplicada para atingir o torque necessário para apertar o parafuso.

No caso de um motor a combustão que equipa um automóvel, o torque é criado para girar o virabrequim (foto abaixo). Este componente é responsável justamente por transformar a energia gerada pela queima do combustível, que gera uma pressão no interior do cilindro da unidade, produzindo uma força sobre o pistão. Ele, por sua vez, utiliza a sua biela para levar movimento a uma manivela no virabrequim.

Diferença entre potência e torque (2 exemplos práticos)

O que é potência?

A potência, por sua vez, é a medida usada para especificar o tempo em que um trabalho é executado. Como exemplo, podemos imaginar dois automóveis, ambos com tanque de combustível de 55 litros e prontos para serem abastecidos em um posto.

A bomba do posto deverá abastece-los com gasolina em um certo tempo. Neste caso, a potência pode ser comparada com a velocidade em que a gasolina chegará até o tanque de combustível dos dois veículos, enquanto o torque aparece como a força que a bomba consegue enviar a gasolina até o tanque.

Esta medida representa o torque multiplicado pelas rotações do motor, exprimida em rotações por minuto (rpm), resultando na quantidade de energia gerada por uma unidade de tempo. No caso do motor de um automóvel, a potência é importante para especificar o desempenho entregue pelo conjunto – isso sem considerar outros fatores, como o peso do veículo, por exemplo.

A exemplo do torque, a potência é variável ao longo da faixa de rotações de trabalho do propulsor. Essas rotações aparecem de maneira crescente, atingindo um ápice e declinando – ou seja, ela não será crescente “para sempre”.

Ainda sobre isso, a potência e o torque máximos aparecem em rotações diferentes, como você pode conferir na ficha técnica do seu carro (um Toyota Corolla 2.0, por exemplo, entrega 154 cavalos de potência máxima a 5.800 rpm, enquanto o torque máximo de 20,7 kgfm aparece a 4.800 rpm).

Como isso funciona na prática?

Dados os termos técnicos, vamos à prática. Num veículo relativamente vazio, somente com o motorista a bordo e o tanque de combustível cheio, são necessários 100 cavalos de potência para manter uma velocidade de 60 km/h numa subida.

Por outro lado, este mesmo veículo com cinco pessoas a bordo, porta-malas lotado e igualmente com tanque de combustível cheio, irá carecer de uma dose extra de potência para manter os mesmos 60 km/h também em uma subida.

E é aí que a transmissão aparece. Ainda citando um exemplo fictício, o propulsor deste veículo entrega os 100 cavalos de potência a 3.500 rpm com o câmbio em 4ª marcha, o suficiente para que ele consiga subir apenas com o motorista e o tanque cheio.

Entretanto, com cinco pessoas a bordo, porta-malas cheio e tanque com gasolina “até o talo”, o motorista precisará reduzir para uma 3ª ou 2ª marcha para que a rotação do motor suba, o nível de potência também aumente e o automóvel consiga subir sem muitas complicações.

Diferença entre potência e torque (2 exemplos práticos)

Por que um motor turbo gera mais potência e torque?

Os motores turbo atuais são oriundos da era do downsizing. O novo hatch compacto Volkswagen Polo em suas versões topo de linha, por exemplo, é dotado de um 1.0 litro TSI (turbo) flex de três cilindros, que consegue desenvolver 128 cavalos de potência, a 5.500 rpm, e 20,4 kgfm de torque, a apenas 2.000 rpm.

Ou seja, números de potência e torque bem acima dos 1.0 litro aspirados e equiparáveis a de motores maiores.

Em suma, o turbocompressor utiliza os gases do sistema de escape como fonte de energia. Eles movem um rotor de turbina ligado a outro rotor através de um eixo (rotor do compressor), que recebe o ar atmosférico e o pressuriza para o motor.

Como resultado, há uma maior densidade de ar na câmara de combustão, melhorando a queima de combustível e provocando uma potência mais elevada. O torque também aumenta, resultando em arrancadas mais fortes.

O que significa um motor ser “elástico”?

Você provavelmente já deve ter lido o termo “elástico” em um teste ou comparativo de automóvel. Neste caso, quanto maior for a diferença entre a rotação que entrega o torque máximo e a rotação da potência máxima, maior será a “elasticidade” de um propulsor.

Devido a isso, o motorista consegue extrair um desempenho mais satisfatório do veículo, sem a necessidade de promover tantas trocas de marcha em retomadas, por exemplo.

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