Ford F1000 – Reclamações e Defeitos

F1000 TURBO
F1000 TURBO

A F1000 substituiu a F100, o que foi uma missão nada fácil, sem contar que sua concorrente direta foram a Ford D10 e a D20, outra picape que marcou época, ajudou a consolidar a Ford no Brasil e torna-la sinônimo de robustez ou “raça forte”.

Por ser uma picape que faz parte do imaginário popular e é um verdadeiro clássico, fica até difícil apontar defeitos nela, mas mesmo assim, nem os clássicos são perfeito, e nosso texto vai trazer as reclamações e problemas recorrentes dela.

Anunciada em 1979 com o motor 3.9 MWM, que apesar de grande, rendia singelos 83cv e 25,3 kgfm de torque, que permitiam velocidade máxima na faixa dos 130 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em quase 30s, tinha freios a disco na dianteira, direção hidráulica como opcional e nada muito além disso (era um carro raiz).

Posteriormente recebeu um motor 6 cilindro 3.6 a álcool que elevou sua potência para 115 cv e já na década de 90 recebeu turbo na versão a Diesel, o que melhorou significativamente seu desempenho, agora trazendo 119 cv e 37 kgfm de torque.

Também existem unidades com motor 2.5 e 4.3 turbo Diesel e 4.9 gasolina, já com bons número de desempenho, por isso fique de olho na motorização usada na unidade que estiver pensando em comprar, todos tem seus benefícios e malefícios.

As versões à Diesel normalmente tem maior procura visto são extremamente robustos, com diversos relatos de unidades que já rodaram mais de 400 mil quilômetros sem precisar de grandes manutenções.

Mas vamos para a parte chata, abaixo estão o principais problemas e reclamações:

Câmbio com engate difícil

De forma geral, as marchas são ruins de serem trocadas, com engates pouco precisos e eventuais “arranhados” nas trocas de marcha.

Acabamentos desgastados

F1000 003

As peças plásticas não envelheceram tão bem quanto o carro, sendo que painel e diversos acabamentos vão se quebrado e trincando com o tempo, sendo necessárias reformas para manter o aspecto bonito.

Desempenho fraco nos primeiros anos

É triste falar isso de um clássico, mas sejamos sinceros, velocidade máxima de menos de 130 km/h é muito limitante, fica difícil até pegar uma rodovia, a proposta do carro não é de correr, tenha em mente que é um carro para curtir e passear.

Nas unidades mais novas as coisas começaram a melhorar, mas ainda assim em algumas versões fica difícil ter uma boa rodagem na rodovia.

Algumas peças são difíceis de achar

Tendo em vista o tempo fora de linha e a época que as primeiras unidades foram fabricadas, algumas peças já são difíceis de se encontrar novas e as usadas não estão em bom estado, isso vale mais para peças de acabamento.

A qualidade das peças novas de reposição também decaiu nos últimos anos, então cuidado ao comprar peças paralelas

Problemas gerais da época

Compilamos esses pontos pois são reclamações recorrentes, mas é até difícil apontar como defeito, tendo em vista que as primeiras unidades foram fabricadas há quase 40 anos, para a época eles eram aceitáveis, hoje a realidade é outra e as tecnologias embarcadas melhoraram todos eles, de qualquer forma:

• Motor barulhento;
• Instabilidade em alta velocidade;
• Freio ineficiente;
• Isolamento acústico ruim;
• Ruídos internos e na carroceria;
• Posição de dirigir ruim;

Não fazem mais o seguro

Se está pensando em comprar o carro para usar no dia-a-dia, tenha em mente que a maioria das seguradoras não tem mais cobertura para ela, e as que fazem normalmente tem algumas restrições quanto ao uso do carro e podem cobrar caro, a vantagem é que ela não paga mais IPVA também.

Atenção ao diferencial

O diferencial tem que ter seu óleo trocado de tempos em tempos e isso é muito negligenciado por proprietários, fique atento a ruídos e solavancos provenientes da traseira do carro, podem ser ocasionados pela má lubrificação ou diferencial danificado.

Tempo de uso

Boa parte das unidades a venda já foram restauradas, fique atento ou leve para um funileiro olhar a integridade da lataria e à qualidade dos serviços já executados, outros itens que sofrem bastante com a ação do tempo são os acabamentos plásticos e de borracha, difíceis de achar e extremamente caros, além de todos esses pontos, fique atento aos frisos e emblemas faltantes, podem sair bem caro para repor.

Visada pelos ladrões

Infelizmente como acontece com muitos carros clássicos, a F1000 caiu no gosto dos bandidos, carros antigos são fáceis de roubar e suas peças tem muito mercado, então é sempre bom tomar cuidado ao sair com ela.

Conclusão

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A F1000 é uma caminhonete bruta, em especial as mais antigas, não é muito confortável, não anda muito, mas é muito robusta, e já traz o status de clássico em suas primeiras versões, que pode te trazer experiências únicas.

Isso é verdade especialmente se você é do tipo que gosta de pôr a mão na massa e restaurar seus carros, além de abrir portas para conhecer pessoas e lugares novos, como encontros de carros antigos.

Nenhum dos defeitos que apontamos desqualifica ou diminui a história desse clássico, e se está pensando em comprar uma, vá em frente, mas preferencialmente tenha um carro para o dia-a-dia e ela para passear.

Tenha atenção aos itens mencionados acima e escolha uma unidade com interior e lataria conservados, motor sempre se dá um jeito pra arrumar, pode ser caro, mas fica bom, lataria e pintura são itens mais difíceis de arrumar e encontrar mão de obra de qualidade.

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Autor: Luca Magnani

Engenheiro mecânico na indústria automotiva, pós graduado pela Universidade da Indústria do Paraná em Engenharia de veículos elétricos e híbridos.