Fiat História Matérias NA Peruas

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

 

É bomba? Essa é a primeira pergunta que vem à mente de quem se depara com a Fiat Marea Weekend. Porém, nesse artigo, vamos falar da história dessa polêmica perua da marca italiana, que foi vendida no Brasil entre 1998 e 2007.


Ela foi importada da Itália, mas depois nacionalizada, com produção em Betim-MG. Foi fabricada também na Turquia. Aqui, ela se destacou especialmente pelo uso de motores grandes, exceto pelos 1.6 e 1.8 como opções de entrada.

Seus motores Fivetech de cinco cilindros tinham 2.0 e 2.4 litros na versão aspirada e 2.0 litros na turbinada. Um dos carros nacionais mais rápidos de sua época, a Marea Weekend teve versões SX, ELX, HLX e Turbo, além da City.

Estilosa, a familiar da Fiat foi a sucessora da Tempra SW e não teve uma herdeira, já que o Linea substituiu o Fiat Marea em forma de sedã e apenas a Palio Weekend continuou a ser oferecida. Sua sucessora foi a Fiat Croma na Itália.

Marea Weekend

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Atuando no segmento médio, o Fiat Tempra foi o primeiro carro “grande” da marca italiana no Brasil e naturalmente precisava ser substituído no final da década de 90, quando então surgiram Marea e Marea Weekend.

O projeto 185 partiu dos modelos Brava e Bravo, que haviam sido lançados na Itália em 1995 para substituir o Tipo, que aqui já era nacional. Sendo ambos hatch com 2 ou 4 portas, não nessa ordem, o caminho lógico foi criar sedã e perua.

Assim, em 1996, surgiam Marea e Marea Weekend para substituir Tempra e Tempra SW, respectivamente. Mas, isso só ocorreu no Brasil em 1998, com a perua sendo temporariamente importada da Itália.

A Fiat não aproveitou nenhum dos motores anteriores do Tempra, fazendo um produto totalmente novo. Com linhas esguias, a Marea Weekend se destacava na dupla, já que o sedã tinha um layout menos atraente.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Em 2001, a Weekend ganhou um facelift com nova grade e cores extras, já que o Marea deixou de ser feito na Itália. Com isso, a perua – que já era feita aqui – ficou mais sofisticada em seu visual, durante assim até 2007.

A Marea Weekend foi uma das últimas apostas da Fiat no segmento médio, pois, com sua saída e a do Marea, apenas os hatches Stilo e Bravo, ficaram em linha até 2017.

Com bom espaço interno e porta-malas generoso, a perua da Fiat foi sensação durante algum tempo. Tendo 4,490 m de comprimento, 1,741 m de largura, 1,535 m de altura e 2,540 m de entre eixos, ela tinha um bom porte para a época.

Marea Weekend – Estilo

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

A Marea Weekend era um perua de estilo emocional, como todo carro italiano, tendo frente baixa e larga, ela apresentava faróis duplos afilados com piscas integrados e formas amendoadas para transmitir fluidez.

A grade em cor cinza também era afilada, tendo logotipo de barras da Fiat. O para-choque era envolvente, mas não integrado totalmente ao desenho do carro. Havia lavadores de faróis na Weekend, um detalhe que chamava atenção.

O para-choque tinha ainda protetores pretos na parte superior e também nas extremidades, formando spoilers laterais. A grade inferior era bem grande e havia faróis de neblina circulares.

O capô era pouco vincado, assim como as laterais da carroceria, que eram bem lisas, mas dotadas de frisos de proteção em cor preta. Contudo, os retrovisores eram pequenos, apesar da boa área envidraçada.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Na traseira, as lanternas eram triplas e arredondadas, embutidas em uma moldura preta. Já a vigia tinha um bom tamanho e era integrada ao desenho da tampa do bagageiro. O para-choque tinha um friso preto, afilado como na frente.

As rodas eram de liga leve com desenhos exclusivos de acordo com a versão, tendo ainda aro 15 polegadas e todas as opções. Por dentro, a Marea Weekend tinha um ambiente bem moderno e requintado para a época.

O painel vinha com volante de quatro raios dotado de airbag, bem como cluster analógico bem amplo, lembrando muito os carros da Opel na época. Ele vinha com conta-giros, velocímetro, nível de combustível e temperatura da água.

Ao centro, o console envolvente tinha sistema de áudio com CD player, integrado ao desenho geral. Os difusores de ar ficavam embaixo, tendo ainda os controles de ar mais abaixo.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

A alavanca de câmbio tinha aspecto esportivo e vinha com trava de ré, enquanto os vidros eram localizados nas portas, com seus comandos sendo muito práticos. O que não era prático foi o comando dos retrovisores entre bancos.

Havia ainda difusores de ar centrais extras sobre o conjunto do painel. Todo o ambiente vinha com partes em tecido ou couro, dependendo da versão. Bem espaçosa, tinha banco traseiro bipartido e apoio de braço central.

O porta-malas tinha 500 litros e podia ser ampliado mais mais de mil litros. O acesso era facilitado ainda pelo rebatimento da parte inferior do para-choque, que era integrado à tampa do bagageiro.

Marea Weekend Turbo

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Embora a Marea Weekend Turbo seja uma perua de foco familiar, ela tem uma característica que muita gente aprecia. Ela é um “sleeper car”, ou seja, anda muito para o que aparenta.

Visualmente, a Weekend turbinada se passava bem por uma HLX 2.0 20V (depois 2.4 20V) e enganava quem pensasse que se tratava apenas de uma perua com motor grande.

Por fora, os únicos indicativos eram as rodas aro 15 polegadas com raios mais espaçados para permitir melhor refrigeração dos freios, montadas em pneus 195/60 R15.

O capô tinha saídas de ar nas laterais, exclusividade da versão Turbo, que ainda vinha com o badge de identificação nas laterais e tampa do bagageiro da perua.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Por dentro, a Marea Weekend Turbo tinha acabamento dos bancos e portas em couro cinza, tendo os assentos dianteiros, abas laterais mais pronunciadas. No cluster, os mostradores tinham fundo branco e limite de 260 km/h.

Os pedais eram de alumínio e o volante tinha comandos de mídia, além de couro perfurado. A alavanca de câmbio também era em couro. O teto solar era elétrico e tinha uma boa área aberta.

Sob o capô, o 2.0 20V tinha pistões e bielas reforçados, válvulas refrigeradas a sódio, intercooler, radiador de óleo e uma boa oferta de potência com 182 cavalos a 6.000 rpm e 27 kgfm a 3.500 rpm, mas com boa parte aos 2.700 rpm.

Assim, ela ia de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos e máxima de 223 km/h, sendo um desempenho estonteante para a época e usando um câmbio de cinco marchas longo. Apesar de tudo isso, ela ficou com má fama por conta da manutenção errada.

Motor

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Inicialmente, a Marea Weekend era importada apenas nas versões SX, ELX e HLX, equipadas com motor Fivetech 2.0 20V, mas posteriormente, já fabricada em Betim-MG, teve as versões de acesso com propulsores menores.

Esse motor de cinco cilindros em linha com cabeçote e cárter de alumínio, já que o bloco era de ferro fundido, tinha duplo comando de válvulas e 4 válvulas por cilindro, sendo assim 20V.

Com injeção eletrônica multiponto, o Fivetech era muito avançado para os padrões brasileiros da época e toda essa tecnologia cobrou seu preço no pós-venda.

O problema era que os donos não fizeram a manutenção corretamente e até houve um erro por parte da Fiat em seu manual. Também não havia profissionais fora da rede Fiat com conhecimento da tecnologia e nem ferramental.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

A primeira versão do Fivetech a chegar ao mercado a bordo da Marea Weekend foi o 2.0 20V de 142 cavalos a 6.000 rpm e 18,1 kgfm a 5.000 rpm, porém, a Fiat quis atender a legislação de IPI vigente em 1998.

Nesse caso, a lei ditava que carros até 127 cavalos pagavam menos IPI, por isso, o Fivetech 2.0 20V da perua foi limitado eletronicamente a 127 cavalos e 17,9 kgfm, alcançados aos 5.500 e 4.500 rpm, respectivamente.

Apenas as versões SX e ELX tiveram essa opção, que foi retirada em 2001, junto com a versão de 142 cavalos. Com este último, a perua da Fiat ia de 0 a 100 km/h em 12,8 segundos e tinha máxima de 195 km/h.

Em 1999, porém, a ambição da Fiat chegava ao ápice com o Fivetech 2.0 20V Turbo. Já vindo do Tempra Turbo, a marca italiana adicionou o propulsor que era do Fiat Coupé italiano, mas com 182 cavalos a 6.000 rpm e 27 kgfm a 2.750 rpm.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

 

Além desse, a Marea Weekend ganhou ainda em 2000 o propulsor HGT 1.8 16V com 132 cavalos a 6.500 rpm e 16,7 kgfm a 4.000 rpm. Esse motor duraria até 2006, quando a produção do carro finalizou.

Bem esperto, esse HGT foi usado nas versões SX e ELX posteriormente e fazia a Marea Weekend ir de 0 a 100 km/h em 10 segundos, com final igual de 195 km/h, como no 2.0 20V.

Apesar de toda a força disponível, a Fiat ainda não estava satisfeita com a Marea Weekend. Querendo mais fôlego no 2.0 20V, que sempre trabalhava em alta, a marca tirou essa opção e trocou-a pelo Fivetech 2.4 20V, trazido do Lancia Kappa.

Marea Weekend: motor, manutenção, equipamentos, estilo

Este foi o maior motor que a Marea Weekend teve por aqui, entregando 160 cavalos a 6.000 rpm, mas com 21 kgfm a 3.500 rpm, o que era uma rotação bem mais baixa e prazerosa para conduzir a perua.

Assim, ela ia de 0 a 100 km/h nos mesmos 10,2 segundos do 1.8 de 132 cavalos, já que a transmissão era longa. A máxima era de 200 km/h. Esses dois e mais a versão Turbo, completaram a gama da Marea Weekend até seu fim por aqui.

Ela teve transmissões de cinco marchas manual e automática com quatro. Sua suspensão era independente nas quatro rodas e a versão Turbo vinha com discos traseiros também, além de ABS e airbag duplo.

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Gustavo Adriano

    Houve uma incoerência ali na parte que a perua fora substituída pelo Croma, em verdade antes deste modelo houve a substituição do Weekend pelo Stilo Multiwagon que, salvo engano, chegou a ser cogitado a ser vendido aqui naquela década. O Croma era um crossover maior que o Multiwagon, ainda, o Croma tinha plataforma compartilhada com modelos da GM.

    • Filipe Augustus

      O Croma utilizava a plataforma do Opel Vectra C aquele de 2003 que não foi vendido no Brasil!

      • Gustavo Adriano

        Que é a mesma utilizada pela finada SAAB.

  • Vinícius Guerra

    Tempra e Marea na época eram ótimos carros, pena que a FIAT nunca soube valorizar a sua marca. E o que a Volkswagen tem feito hoje. Por isso clientes insatisfeitos só compram Toyota e Honda.

  • Baetatrip

    Bela SW da Fiat….!
    Pena que botou motor ultra moderno num mercado “antiquado” em termo motor….
    Se colocasse 4cc 2.0/2.4 ou 6cc mesmo…. Teria melhor aceito no nosso mercado!
    Ja andei numa dessa…. Era extremo confortavel e macio!
    Melhor carro fabricado na FIAT até hoje….. Hoje em dia só fabrica carros baixa qualidade na marca!

    • Murilo Soares de O. Filho

      Hoje a Fiat resolveu ser mais conservadora nos carros, menos ousadias, porém atendendo a gostos variados.

  • Paulão

    Eu tive uma turbo, motor e cambio foram das poucas coisas que não quebraram, de resto era um enchimento de saco.
    A suspensão parecia de vidro, vivia enchendo o saco, as bieletas tinham que trocar a toda hora, melhorou quando coloquei as barras do coupé e bieleta de vectra. Discos de freio empenavam fácil.
    Parte elétrica aconteceu de tudo, aterramentos, painel, marcador de temperatura, bomba de combustível, tudo com problemas elétricos.
    Acabamento com materiais vagabundos, puxador das portas dianteiras racharam 2 vezes, era algo “normal” em marea então nem troquei mais, peças de encaixe ruins, as travinhas quebravam só de olhar, fora muita coisa que não ficava exposta era apenas jogada lá sem o devido suporte, por exemplo parte elétrica, os chicotes com cabos expostos, sem conduítes e travas de fixação.
    E tem mais uma porrada de coisas que nem lembro mais, vendi o carro novo, uns 30 mil km.
    Mas era divertida de acelerar e o ronco do 5 cilindros agradava muito.

  • Murilo Soares de O. Filho

    Só quem teve pra dizer, meu pai teve uma modelo SX 2.0, problemas, alguns, mas nada sérios, reparador independente, hoje a maioria consegue fazer manutenção, porém tarde de mais. Os modelos 1.6 e 1.8, eram tranquilos quanto a manutenção. o Marea caiu em desgraça quando foi parar na mão de segundo e terceiros donos.

    • Navaman

      Meu sogro teve uma HLX 2.4 e minha esposa um Bravo SX 1.6 e foram os piores carros que tiveram. Muitos problemas mecânicos. Eram bem confortáveis, bonitos, mas justificam o apelido de bomba.

  • Daniel Pirolli

    Quando vejo um passo ligeiro e abro distancia, ou, ao contrario, se for pra ficar atras, deixo abrir mais espaço kkkkkkkkkk

  • Leonardo

    Acho que os comentários vão BOMBAR!!!

  • Rubens Rogato

    Esses carros, como todo carro com tecnologia embarcada, necessita de mecânico, peças, manutenção, top.
    O que ocorreu é que muitos que compraram “a nave” a trataram com “carroças” que já tiveram.
    Como o canal H.T vive dizendo…se não tem condições de bancar a manutenção, não compre. Vai acabar em P.T.

  • Henrique12

    “É uma cilada Bino!”

  • leomix leo

    A verdadeira BomBa.

  • João Senff

    Vi uma hoje prata das últimas bem cuidada.

  • vi.22

    O grande problema é consertar algo no vão do motor, um amigo tem uma que está com um
    Sensor estragado, n me lembro qual a função dele, não há espaço para ser retirado, pois está na parte de trás do motor, será nescessario retirar o motor para poder substituir..
    Esse mesmo um dia me ligou dizendo que tinha um marea pra vender e se eu n interessava, falei com ele que n queria ver nem por foto..

  • mariostefa

    Um Tesão de carro. Tive 3 . Uma weekend ELX 2.0 99, um sedan Elx 2.4 2002 e por ultimo uma weekend Turbo 2002, que ficou comigo até ano passado. Escuto muitas reclamações ,mas será que a manutenção era de acordo? Para mim, foi o melhor carro da Fiat.

  • ocampi

    Tive uma 2.4 no ano de 1999 comprada zero km. Era muito boa….

    • Jose Silva

      2.4 saiu so em 2001

      • ocampi

        Bom deve ter sido mesmo, quando saí do Tempra 16V

  • 4lex5andro

    Melhor Fiat fabricado em todos os tempos… Mas no Brasil, era carro demais pra um país ‘de menos’, além de falhas da fabricante… como diz o texto:

    “O problema era que os donos não fizeram a manutenção corretamente e até houve um erro por parte da Fiat em seu manual. Também não haviam profissionais fora da rede Fiat com conhecimento da tecnologia e nem ferramental.”

    O sucessor dos Marea é o novo Tipo (que é vendido na UE em configurações hatch, sedã e sw), mas que, diferente da política da montadora de 20 anos atrás, dessa vez não deverá vir para o mercado brasileiro.

  • Rodrigo

    Tenho o privilégio de preservar um Brava HGT 1.8 16V 2000, com apenas 33.000 KM originais e um Marea HLX 2.4 Automático 2005, completaço. Carros impecáveis, extremamente bem equipados, confortáveis e estilosos. Ao contrário do que dizem, não são bombas. A diferença é que a “galera” espera que tenham a mesma manutenção de um 1.0… aí, não dá né??!!! Se cuidar bem, duram muitos anos. Não vendo e não troco por nada. Além deles, tenho um Stilo 2011 e um Bravo 2013. Em, breve, irei atrás de uma Marea Weekend também.

  • João Carlos

    No final de carreira, já na versão 1.6 16v, tinha um ótimo custo benefício. Excelente carro, com fácil manutenção à um bom preço. Grande parte das fotos desta matéria, aliás, são da divulgação desta última versão.

  • Jose Silva

    Fui comprador de uma ELX 2.4 20V 2003, ultimas do cambio manual. Fiquei 7 anos e 160.000km, problemas mesmo zero, so um micro vazamento na direção, tbm forçava pra manobrar em garagem apertada, mas de fácil solução de um reparo trocando umas pecinhas. De resto era so acelerar nas rodovias e a galera abrindo pra eu passar. Bons tempos que não existia radar e carro forte tinha no máximo 110 a 120cv, andar de 160cv e 95% do torque já disponível a 1500rpm era um prazer que não tinha igual, o motor 2.4 tem comportamento desses carros 1.4 turbo de 150cv de hoje, 0-100 em 8,5s e torque absurdo em baixa rotação.

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