Onde comprar carros antigos?

O mercado automotivo basicamente é composto da venda de automóveis novos e usados, mas existe uma categoria que se destaca no segundo caso. Apesar de ser de segunda mão, não é exatamente aquele tipo de veículo para uso familiar no dia a dia ou por necessidade, mas trata-se de uma compra mais emocional.


Estamos falando dos carros antigos, que não são necessariamente velhos em termos de rodagem e estado de conservação. Diferentemente do que muitos pensam, alguns até são pouco rodados pela idade que possuem.

Nostálgicos, muitos carros do passado ainda se encontram em bom ou até ótimo estado de conservação e plenamente funcionais, porém, muitas pessoas pensam que esses carros fazem parte de coleções cujos donos venderiam tudo, menos eles.

Então, onde comprar carros antigos? Sim, para quem estava em dúvida sobre isso, é possível adquirir aquele modelo clássico em perfeito estado, sem ter que se arriscar em receber um não do proprietário-colecionador.

Lojas especializadas

Para isso, existem lojas especializadas em vender carros antigos, sendo que muitas delas anunciam também na internet. Elas geralmente são revendas multimarcas, mas nesse caso, oferecem veículos antigos em ótimo estado de conservação, sendo que algumas são bem exigentes nesse aspecto.

Algumas são bem detalhistas e mostram fotos de diversos ângulos e partes importantes dos carros ofertados, dando uma boa visão daquele produto para o comprador antes mesmo dele poder vê-lo pessoalmente.

São carros nacionais e importados de diversos anos, marcas e modelos, bem como de diferentes segmentos. Nessas lojas também são vendidas motocicletas e carros com placa preta até, sendo que nesse caso, a identificação significa que o veículo tem pelo menos 85% de originalidade.

Algumas empresas até contam brevemente a história do modelo, mas o preço a pagar é elevado. Um Fusca 1972 alemão, por exemplo, pode custar R$ 55.000, enquanto um Dodge Charger R/T 1976 sai por R$ 170.000.

Para quem busca um carro muito raro e nunca vendido no mercado brasileiro, existem opções interessantes, mas igualmente por preços altos. Os valores são equivalentes aos de carros novos, como um Citroën 2CV por R$ 65.000. Modelos nacionais também são ofertados, como Kombis em perfeito estado na casa de R$ 50.000.

Alguns, como Karmann-Ghia, chegam a custar bem mais de R$ 100 mil, como no caso de um cupê da marca alemã, que sai por R$ 170.000. Outro exemplo é o Chevrolet Brasil 3100, que tem preços na casa de R$ 140.000.

Mas, se os preços acima assustam, existe outra opção para comprar carro antigo por um valor mais baixo.

Classificados

Na internet existem alguns classificados online especializados em carros antigos e clássicos. Lá, pode-se encontrar preços bem mais baixos, negociados diretamente com o vendedor ou proprietário do modelo.

Assim como em classificados para carros usados tradicionais, esses espaços permitem encontrar algumas ofertas muito boas, com carros em bom estado de conservação e preço atraente. Pode-se até encontrar carros de placa preta com preços interessantes, como um Fusca 1976 (nacional) por R$ 14.500 ou uma Variant 1973 por R$ 18.000.

Mas nem todos os carros apresentados podem estar em ordem, tanto em termos de documento ou dívida, como em conservação e mecânica, assim como acontece com os carros usados comuns. Por isso, exige-se atenção e, de preferência, a ajuda de um mecânico ou especialista em carros mais antigos para não entrar numa furada.

Apesar de alguns carros terem preços bons, muitas peças e componentes – hoje raros – custam muito. Por isso, é necessário ter algum conhecimento do veículo que se está buscando e, principalmente, pesquisar sobre possíveis peças que ainda estejam disponíveis em lojas de autopeças ou sites especializados.

Existem classificados online com anúncios de diversos itens, mas alguns têm preços bem elevados. Então, mesmo que o carro pareça inteiro e o preço seja tentador, leve alguém que conheça melhor o carro para ajudar a verificar se ele está realmente em bom estado ou o que precisa ser feito para deixá-lo em ordem.

Feiras e exposições

Nos dois casos, antigos com preços bons e peças raras em oferta, pode-se buscar outra saída: as feiras e exposições de carros antigos e clássicos.

Esses eventos, que ocorrem com frequência em diversas cidades e estados brasileiros, ajudam muito quem procura um carro antigo e ainda mais quem busca aquela peça rara que não se acha nem na internet.

Tais eventos são ricos em informação, pois os colecionadores e proprietários gentilmente fornecem dicas importantes para quem quer fazer parte desse mundo de entusiastas por clássicos. Além disso, os contatos feitos ajudam na hora da emergência, pois sempre tem alguém que conhece um local com aquela peça, se não tiver para vender ou trocar.

Como numa comunidade, quem se insere nesse meio acaba não só adquirindo um carro bom e conservado, mas também tem acesso à manutenção de seu clássico, seja com a aquisição ou troca de peças originais, seja com a realização de serviços em oficinas especializadas em carros antigos.

Nesses locais os profissionais possuem enorme experiência e conhecimento para manter o carro antigo em ordem e original, que é o objetivo de muita gente.

Veja também: Por que os carros de Cuba são antigos?

Cuidados na hora de comprar

A compra do carro antigo exige alguns cuidados, como já comentado acima. Caso não haja alguém experiente para ir junto na hora da compra, é importante observar alguns detalhes fundamentais para que a compra não se torne uma dor de cabeça mais adiante. Um dos primeiros pontos é verificar a quilometragem do veículo.

Apesar da busca por um antigo raramente ter a quilometragem como alvo, justamente por serem carros com muitos anos de idade, é importante ver se de fato o hodômetro marca o que realmente o carro andou.

Muitos podem ter sido adulterados, mas a alta quilometragem não significa necessariamente que o carro esteja em estado ruim, pelo contrário, se a manutenção foi feita corretamente ao longo dos anos, o automóvel chega a estar mais conservado que aquele que rodou pouco e ficou muitos anos parado, sem a devida atenção.

No chassi do veículo geralmente existe uma placa de identificação onde constam informações importantes, que poderão ser confrontadas com o que o carro apresenta, entre eles combustível, cor, motor, etc.

Essa identidade do automóvel precisa estar em bom estado. Outra dica é a cor original do veículo. É preciso saber se o automóvel apresenta a tonalidade de fábrica, caso contrário, o valor de mercado cai consideravelmente. Se não souber identificar, melhor chamar um especialista no assunto.

Da mesma forma, fique de olho nos pontos de ferrugem. É natural que aconteça em carros mais antigos, pois na época não havia tratamentos químicos ou processo produtivo com aços melhores, ao contrário da atualidade.

Mesmo assim, existem muitos que estão impecáveis nesse aspecto. De qualquer forma, verifique manchas marrons ou bolhas. Pequenas marcas de corrosão podem rapidamente se expandir e acabar com uma parte inteira do carro. Uma reparação será necessária, mas nunca ficará igual.

Um detalhe importante é saber o número de unidades produzidas, pois quanto menor, mais raro e, obviamente, o valor de mercado aumenta. Os modelos da década de 80, no momento, estão muito valorizados no mercado de antigos e clássicos.

Muita gente está atrás daqueles carros que um dia foram de seus pais ou que foram cultuados pelas crianças e jovens de determinada época. Os preços de carros antigos dessa década vem aumentando muito pelo interesse desse público, especialmente no caso dos esportivos, que chamam muita atenção e têm alta procura.

Veja também nossa reportagem sobre a história da memorável Ford Pampa.

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.

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