Up TSI: motor, consumo, preço, equipamentos (e detalhes)

Up TSI

Quando ele chegou, muitos duvidaram que podia fazer tanto, sendo tão pequeno e ainda por cima 1.0. Mas rapidamente o Up TSI provou que os novos tempos do downsizing finalmente chegaram aos carros populares.

Em realidade, no Up TSI essa foi a segunda vez que a Volkswagen teve a mesma ideia (em 1999 tentou com Gol e Parati 1.0 16V Turbo), mas agora o mercado não pode mais simplesmente recusar algo tão ousado.


Mas o que tinha de tão especial no Up TSI de motor 1.0 turbo? Não era visual e muito menos conteúdo, porém, sua mecânica com motor 1.0 TSI de até 105 cavalos simplesmente convertia um carro que veio para ser econômico em esportivo.

O Up TSI nasceu pedindo para ser algo mais do que a VW queria que ele fosse, assim surgiu um dos poucos exemplos do tipo no mundo.

Como um motor poderia mudar completamente a proposta desse carro urbano e despretensioso? O Up TSI adiantou simplesmente o que viria pela frente e, graças a ele, hoje sua mecânica não só evoluiu em outros produtos da marca, mas se tornou algo comum.

Aliás, com o Rota 2030, essa tecnologia se converterá em algo obrigatório para muitas marcas e modelos no Brasil.

Mas antes de falarmos mais do Up TSI, vamos à origem do produto. Como surgiu um carro que tinha outra pretensão, essa muito maior do que simplesmente querer ser um esportivo.

Por mais que possamos imaginar uma ideia alemã por trás dele, na verdade foi um brasileiro que vislumbrou esse pequeno carro, um “designer raiz” que cresceu lendo revistas e desenho em folhas de caderno.

Up TSI: motor, consumo, preço, equipamentos (e detalhes)

Índice

História do Up

Na metade da década de 2000, o designer da Volkswagen Marco Pavone, que é brasileiro, teve a ideia de projetar um carro urbano, pequeno e funcional como um missão muito importante, ser simplesmente o substituto moderno de uma quase lenda automotiva, o Fusca.

Então, pensando nisso, Pavone desenhou um carrinho com formas bem quadradas e com o indispensável motor traseiro.

Nascia assim o conceito Up em 2007. Ele era amigável, tinha duas portas e o mais importante, não tinha pretensão de repetir as linhas do besouro. Feito para quatro pessoas, o conceito up! tinha motor traseiro boxer de dois cilindros e media 3,45 m de comprimento, por 1,63 m de largura e 1,42 m de altura, tendo entre-eixos longo.

O pensamento no Fusca e em outro clássico da Volkswagen, fez com que o conceito do up! evoluísse para uma minivan com janelas panorâmicas pequenas, distribuídas nas laterais do teto, tal como a Kombi Samba Bus dos anos 60.

Assim, no mesmo ano de 2007, surgia o monovolume conceitual Space Up.

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Com 3,68 m de comprimento e 2,56 m de entre-eixos (coincidência ou não, a mesma base do atual Polo), a Space Up tinha portas traseiras pantográficas e dianteiras comuns, mas sem a presença das colunas B, o que facilitava o acesso e também a remoção dos assentos, o que proporcionava ao conceito um espaço útil de 1.005 litros.

Assim como o Up, a Space Up tinha motor traseiro, mas agora com injeção direta FSI. Ambos mantiveram a largura em 1,63 m, mas a minivan tinha 1,57 m de altura. As rodas de liga leve aro 18 eram parecidas com as do hatch.

O Space Up Blue foi um conceito derivado desta que tinha células fotovoltaicas no teto com 150 watts para produzir energia suficiente para alimentar os sistemas do carro e o pequeno motor elétrico de 61 cavalos e as baterias de lítio.

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O alcance era de 105 km, mas o conceito poderia levar também um sistema de células de combustível de hidrogênio e tanque pressurizado, capaz de acrescentar 250 km à autonomia original. Mas, por dois anos, o Up ficou esquecido, até que reapareceu completamente diferente em 2009.

Nesse ano, surgiu o E-Up, precursor da futura versão elétrico do modelo, mas que já mostrava um ar mais sofisticado e esportivo. Esse conceito era 100% elétrico e tinha motor dianteiro de 82 cavalos, sendo que sua autonomia chegava a 130 km com recarga rápida em uma hora. Ia de 0 a 100 km/h em 11,3 segundos e tinha máxima de 135 km/h.

Porém, o E-Up era pequeno demais, tendo apenas 3,19 m de comprimento, 1,64 m de largura e 1,47 m de altura. Nesse porte, ele era um “3+1”. O entre-eixos tinha apenas 2,19 m, mas vinha com um sistema de interface homem-máquina baseada no iPhone. Na mesma época, a VW mostrou outra face do Up, o Up Lite.

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Feito mais como um cupê duas portas, o conceito media 3,84 m de comprimento, 1,60 m de largura e 1,40 m de altura, tendo motorização híbrida com propulsor de dois cilindros turbo diesel 0.8 TDI com um motor elétrico diminuto. Pesando quase 700 kg, o Up Lite tinha máxima de 160 km/h e emissão de apenas 65 g/km de CO2. Infelizmente nunca tomou corpo na fábrica.

O IN foi um conceito brasileiro, feito por estagiários da VWB no ano seguinte, mesmo onde surgiu o Buggy Up, que tinha 3,58 m de comprimento por 1,67 m de largura, sendo uma releitura dos clássicos buggys dos anos 60 e 70.

O Up Azzura Sail Team foi o último conceito do Up antes de seu lançamento. No mesmo evento onde foi mostrado, em Frankfurt, no ano de 2011, surgiu a versão final.

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Lançamento do Up na Europa

Em setembro de 2011, a Volkswagen apresentava finalmente em Frankfurt, o Up! (com acento de exclamação) para o mercado europeu. Muito fiel ao conceito original proposto por Pavone em 2007, o subcompacto nascia para ser o menor dos VW e também o mais barato. O pequenino mantinha os para-choques com corpo centralizado e colunas C bem destacadas.

Com duas ou quatro portas, o Up media apenas 3,54 m de comprimento e tinha 2,42 m de entre-eixos, numa plataforma modular chamada NSF (New Small Family). Com tampa de vidro atrás e interior para quatro pessoas, o modelo se rendeu ao motor dianteiro convencional, sendo um três cilindros EA211 1.0 MPI com 60 ou 75 cavalos. O porta-malas tinha somente 221 litros.

Pensado para cidade, o Up logo gerou dois irmãos: Skoda Citigo e Seat Mii. As janelas traseiras eram basculantes, mesmo na versão com quatro portas. A tampa traseira era de vidro pintado de preto brilhante.

Sua produção começou em Bratislava, Eslováquia, e havia planos de expansão para outros países, mas com produções locais: Índia e Brasil.

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No primeiro caso não deu certo por causa do alto custo de produção do Up, que veremos a seguir, era um impeditivo mesmo no Brasil, já que se tratava de um projeto voltado quase que exclusivamente para a Europa, com alto índice de qualidade construtiva e nível de segurança exemplar. Por conta disso, o projeto brasileiro sofreu algumas modificações, mas para cima, um “Up” mesmo!

Antes de chegar ao Brasil, o Up ainda ganhou uma versão elétrica na Europa – o E-Up – com autonomia de 160 km e velocidade máxima de 130 km/h. O pequenino elétrico começou a vender no mesmo ano de 2013.

Up no Brasil

Foram necessários quase três anos após o lançamento na Europa para que o Up chegasse ao mercado brasileiro, ainda não tendo a versão Up TSI. Para atender o perfil do brasileiro, a Volkswagen teve que realizar diversas mudanças para torna-lo menos urbano e mais familiar.

Porém, as mudanças feitas não resultaram em decréscimo na segurança e qualidade de construção, diferente do que geralmente acontecia até então.

Para ser brasileiro, o alemão sofreu mudanças estruturais mais profundas. A plataforma NSF ou PQ12 manteve as medidas básicas, exceto o comprimento, que foi ampliado em 6,5 cm.

Assim, com 3,60 m, o Volkswagen Up ganhou também em espaço interno, ampliando o porta-malas para 285 litros, já que se tratava mais de um carro de família do que um produto para solteiros ou casais sem filhos.

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Tendo isso em mente, a VW decidiu acabar com as janelas basculantes e colocar vidros de abertura nas portas traseiras. As mudanças acabaram por moldura muito mais, especialmente o tanque, que passou de 35 para 50 litros.

O estepe passou a ser de tamanho padrão, diferente do europeu, que não usava. Visualmente, a traseira chamava atenção pela tampa de aço no lugar do vidro.

Para mostrar as novidades desse carro, a Volkswagen chamou parte da imprensa para uma prévia na fábrica, onde revelou a qualidade de construção de padrão europeu num carro popular, que seria mais barato que o Gol, surpreendendo a todos.

O escape, por exemplo, é de aço inox e a carroceria tem diversas partes moldadas a quente e com cortes feitos por laser.

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O nível de rigidez é elevado para sua categoria e acima, chegando a 75% de aços de alta, ultra e ultra alta resistência, algo que o fez ganhar de imediato as cinco estrelas do Latin NCAP. Para termos uma ideia, o Audi A3 Sedan de mesma época tinha somente 63% desses aços especiais. Ou seja, o Up chegava com duas certezas para a imprensa: caro e pouco comercial.

Inicialmente errou-se no quesito preço, pois realmente chegou abaixo do Gol, mas a estratégia comercial da Volkswagen foi totalmente errônea e complicou a carreira do Up no Brasil. Ao invés de explicar o que o carro era de verdade, fez campanha para um público jovem como se fosse o europeu, mas a proposta aqui era ser familiar.

Resultado: a maioria das pessoas o achou feio e pequeno demais.

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Todos os méritos do carro foram deixados de lado, mesmo sua boa economia com motor 1.0 MPI de 75 cavalos na gasolina e 82 cavalos no etanol, tendo torque máximo de 10,4 kgfm no derivado de cana, mas a apenas 3.000 rpm.

Pensado para quem ia dentro, o Up era um contraste com o Fiat Mobi, feito quase como de improviso, mas que vingou mais no final das contas.

Diante da baixa repercussão, a Volkswagen começou a tarefa de melhorar a oferta do Up. Primeiro foi a introdução da versão duas portas e depois foi a vez do automatizado I-Motion, o primeiro do tipo num 1.0 nacional (na época ainda havia o Smart For Two mhd).

Mas, isso não foi suficiente para atrair o público brasileiro. Então, uma medida mais drástica foi tomada e que mexeria com muita gente…

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Up TSI

Até então, a sigla TSI estava associada ao Golf e outros modelos mais caros da Volkswagen. Mesmo na Europa, essa tecnologia de turbo e injeção direta de combustível só existia em carros do Polo para cima.

Então, a VW teve a genial ideia de turbinar literalmente seu pequeno de entrada, fazendo com que o Up TSI (veja aqui up! TSI é o carro flex mais econômico do país) passasse na frente de todos dos carros abaixo do Golf.

Em certa medida, do jeito que foi feito, passou até mesmo por cima do icônico hatch médio. Assim como no lançamento do Up, a VW usou sua didática em forma de aula de engenharia básica para a imprensa automotiva antes do lançamento da novidade.

Minuciosamente, a montadora explicou o que era e como funcionava o EA211 R3 1.0 TSI.

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O pequeno motor de três cilindros e de 1.0 litro do Up TSI vinha com turbocompressor, intercooler, injeção direta de combustível e uma série de mudanças que exigiram um acréscimo de 4 cm ao comprimento para os sistemas agregados ao motor, que tem três sistemas de refrigeração independentes, duplo comando válvulas variável, válvulas com núcleo de sódio e outros melhoramentos para suportar cargas maiores.

Ou seja, não bastava apenas colocar uma turbina e um sistema de injeção novo, sendo necessário diversas modificações avançadas no pequeno, que por conta de seu diminuto cofre, foi obrigado a posicionar o intercooler de forma menos eficiente, por isso o rendimento em termos de potência caiu, embora na época não sabíamos disso, o que só foi descoberto após o Golf Comfortline 1.0 TSI.

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Ainda assim, o que poderia ser uma desvantagem, acabou servindo como um comparativo improvavelmente a favor da nova versão, que entregando 101 cavalos na gasolina e 105 cavalos no etanol, ambos com 16,8 kgfm a 1.500 rpm, chegou em julho de 2015 como Up TSI.

Andamos brevemente em uma unidade na fábrica, ainda antes do lançamento, e a novidade já agradava muito.

Antes do lançamento, já sabíamos que a proposta era de economia, pois a VW manteve no Up TSI o mesmo câmbio manual de cinco marchas longas do 1.0 MPI, mas com uma primeira modificada e um diferencial mais longo.

O motivo era simples, a carga do novo 1.0 TSI era alta o suficiente para compensar essa relação focada no consumo.

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O que também não se sabia era que o Up TSI era um “Wolf in Lammfell” ou simplesmente, um lobo coberto com pele de cordeiro. Oficialmente até hoje não é confirmado, mas testes de dinamômetro foi por revistas, sites e mesmo por proprietários do modelo, relatam potência entre 132 e 134 cavalos com 20,4 kgfm.

O fato até faz lembrar o do Gol GTS de 1987, que tinha 99 cavalos oficialmente, mas para não pagar um imposto sobre potência acima de 100 cavalos, pois em realidade tinha 105 cavalos. Certo ou não, o Up TSI (veja aqui: Avaliação 15 dias com up! TSI) produz algo mais absurdo do que os números indicam, o que foi comprovado no lançamento oficial do produto.

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O melhor de dois mundos

O Up TSI vinha com um visual pouco chamativo. Tirando a série especial que virou versão e sumiu algum tempo depois, a Speed, o pequenino da Volkswagen continua se disfarçando de cordeiro.

Disponível nas versões move up, high up, cross up e speed up, a gama com motor turbinado não tinha nada de especial.

Havia ainda as opções coloridas black up, white up e red up, assim como já existia na versão com motor 1.0 MPI. De todas, apenas a speed up parecia levemente esportiva, mas passava longe de ser um GT, GTS ou mesmo GTI, o que acabou acontecendo na Europa.

Com motorização “1.0”, o Up TSI convenceu alguns apenas no test drive.

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A avaliação do Up TSI pela imprensa foi positiva, visto que a performance do Up TSI realmente surpreendia pelo arranque muito forte e ronco vigoroso do pequeno três cilindros turbinado.

Mesmo com um câmbio considerado longo, o pequeno VW andava mais do que podia, especialmente na versão move, que não tinha nem rodas e muito menos pneus adequados para uma pegada esportiva.

Literalmente essa opção “enganava”, mas não no sentido que estamos acostumados. Por fora do Up TSI havia somente uma tampa traseira preta com logotipo TSI estampado. Na frente, só um olhar mais apurado para notar os 4 cm a mais.

Ou seja, qualquer Up MPI com tampa pintada e logotipo falso poderia ser temido na estrada. Afinal, o pequeno vai de 0 a 100 km/h em 9,1 segundos e tem máxima de 184 km/h.

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Os números parecem apenas bons, mas a condução com o 1.0 TSI empurrando como se fosse um esportivo, revelou um carrinho divertido, que só tem controle de tração “razoável” e mais nada.

Apesar disso, o Up TSI é um carro extremamente frugal, fazendo médias bem acima de 14 km/l na cidade e 17 km/l na estrada. Na atualização recente, a calibração o fez ficar ainda mais econômico.

Porém, essa mudança leve no visual veio com uma alteração na proposta, colocando-o acima do Gol e com direito a renovação do habitáculo, incluindo um LED azul de cortesia no painel. Mas, mesmo com melhora no conteúdo e estilo, o Up TSI ficou muito mais caro e isso não está ajudando o pequeno.

De janeiro a junho de 2018, o Up no geral vendeu 9.797 unidades contra 24.997 unidades do Mobi, por exemplo. Por ora, o modelo continua com sua missão, mas seu futuro é incerto. Na programação da VW até 2022, o modelo não aparece com novidades.

Fala-se em mudar para crossover na Europa, entre outras coisas. Pelo menos o Up TSI reuniu o melhor de dois mundos: performance e economia num carro só.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.