Honda Fit – defeitos e problemas

Honda Fit - defeitos e problemas

O Honda Fit é um monovolume de sucesso no mercado internacional, especialmente no Japão, onde já foi o carro mais vendido por alguns anos. Em realidade uma minivan, o modelo surgiu na primeira geração com porte de hatch, mas logo assumiu sua proposta na segunda geração e também na terceira, a atual. Mas, apesar de seu bom histórico, há defeitos e problemas?


A resposta é sim, infelizmente. O compacto da Honda nunca passou ileso pelo crivo dos proprietários desde a primeira geração e não seria na terceira que certas coisas seriam resolvidas. O modelo atual tem mais bons atributos, que já acompanham o Fit, tais como bom espaço interno, porta-malas generoso, economia, versatilidade no arranjo de bagagem no banco traseiro, confiabilidade, etc.

No Brasil, por exemplo, a Honda oferece o motor 1.5 de até 116 cavalos e com tecnologia flex como única opção, atendendo razoavelmente o produto. O câmbio CVT é outro item desejado no modelo, tendo chegado com ele na primeira geração e ausente da segunda, que tinha câmbio automático de cinco marchas.

O projeto do Honda Fit destoa dos demais carros por conta de algumas características, entre elas o tanque central sob os bancos dianteiros, sistema ULT de ajustes do assento traseiro, direção elétrica desde a primeira geração, entre outros. Mas, alguns não são completamente aceitos pelos clientes, entre eles a altura livre baixa, suspensão dura e racionalidade exagerada para seu preço.

Além dos últimos mencionados, os proprietários da atual geração reclamam do acabamento simples demais, barulhos internos diversos, consumo alto com etanol (já verificamos isso e procede), bateria fraca (desde sempre), resposta do CVT e até falta de medidor de temperatura externa, por exemplo. Apesar de muitos clientes não relatarem problemas, vários reclamam de diversos aspectos do carro.

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Índice

Honda Fit – defeitos e problemas

Barulhos incomodam muita gente

Os donos de Honda Fit, apenas da última geração, reclamam muito de barulhos internos. O painel é uma fonte de ruídos para vários proprietários, que em parte tiveram o problema resolvido, mas em outros, sem solução, acabaram indo parar nas mãos do segundo dono.

O barulho interno – o mais relatado entre os defeitos e problemas do Honda Fit – não vem apenas do painel. Reclama-se também do vidro do motorista e das colunas. Mas, a tampa do bagageiro não fica muito atrás no número de clientes que se queixam. As portas também estão incluídas, sendo que algumas tiveram problemas ao abrir e fechar, ajustadas na garantia.

Também são mencionadas borrachas soltas ou rasgadas das portas. Mas, existem “grilos” na traseira, relatados no interior (não detalhados pelos clientes) que, de acordo com revendedores é uma das “características do veículo”. Falando em ruídos, um cliente reclamou de chiados no rádio, não resolvido. Porém, a Honda teria dito que era “características do veículo”.

Mas não para por aí, o Honda Fit também registra reclamações das palhetas do limpador do para-brisa. Um dos donos relatou que os mesmos estavam riscando o vidro. Noutro relato, os limpadores faziam barulho e vibravam durante o funcionamento. Existem queixas sobre seu alto nível de ruído no interior (notado também em avaliações) e até barulho do atrito dos pneus com o asfalto.

Alguns não gostaram da limitação de ajuste dos bancos e indicaram que motoristas com mais de 1,80 m têm problemas para se acomodar. Há reclamação em relação à multimídia. Um dos clientes disse que apesar do dispositivo indicar o uso do Waze, o app só funciona com o carro parado… A atualização, segundo uma revenda de São Paulo, custa nada menos que R$ 2.000!

Outro proprietário (ex), comprou o Fit e nunca conseguiu retirar um erro de inicialização da multimídia, não resolvido pela concessionária, mesmo com atualização do dispositivo. Vendeu o carro com o problema a bordo. Outros que não possuem a central de entretenimento, relataram dificuldade em emparelhar o aparelho móvel através do Bluetooth.

A decepção verificada em registros em sites de opinião, reclamação e clubes – em alguns casos – é grande por conta da expectativa com o produto. O preço alto e a simplicidade do Honda Fit é também motivo de menção por parte dos clientes que relataram problemas e mesmo dos que não tiveram nenhum defeito com o produto.

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Fora do habitáculo

Alguns donos de Honda Fit do modelo atual reclamam de defeitos e problemas com a qualidade construtiva do produto. Relatos de falta de pintura do cofre do motor até oxidação dos trilhos dos bancos foram registrados na internet. Num caso, o cliente apontou oxidação excessiva na dobradiça da tampa traseira e em outros pontos da carroceria, mesmo o carro tem apenas 42 mil km rodados.

Também reclamam da qualidade da pintura, que é considerada pouco resistente, riscando facilmente. A tampa do bagageiro antes da atualização visual de meia vida não foi criticada pelo NA por acaso, no lançamento, visto que há reclamação sobre a sensibilidade da tampa a pequenas encostadas, marcando facilmente a lataria, conforme relato.

Na atualização da linha 2018, o para-choque foi ampliado para oferecer maior proteção à tampa em caso de colisões muito fracas, como relatado. Isso aumentou o tamanho do Honda Fit, mas ajudou a preservar essa parte do veículo, antes bem rente ao protetor traseiro.

Outra reclamação é da parte mecânica, embora sem queixas em relação à integridade do motor 1.5 i-VTEC FlexOne, que no modelo atual, assim como na geração anterior, entrega 115 cavalos na gasolina e 116 cavalos no etanol, tendo comando único variável VTEC e construção geral em alumínio.

Não há relatos de defeitos e problemas desse motor, exceto uma troca de bicos injetores antes de 7.300 km rodados. Fora isso, o consumo alto com etanol é algo recorrente para alguns e já verificado pelo NA em avaliações. Um dos clientes fala em média de 6,5 km/l na cidade e 8 km/l na estrada. A solução? Trocou de combustível, fazendo até 10 km/l no ciclo urbano e 15 km/l no rodoviário, sem dúvida uma diferença gritante.

No caso do câmbio, reclamam sobre a lentidão na resposta do CVT e num caso, o proprietário do Honda Fit disse que ficou em situação de risco por causa da não-resposta do câmbio ao exigido no momento. No caso da suspensão, a dianteira apresentou barulhos em alguns casos, sendo que num deles, descobriu-se que o parafuso da bieleta estava solto antes de 14.000 km rodados.

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Baixo e duro

A rigidez da suspensão também é criticada e pode ser a fonte de muitos ruídos internos. O conjunto sempre foi mais duro que a média e muitos reclamam que as irregularidades são passadas facilmente para o habitáculo. Um dos donos relata uma forte batida seca ao passar por imperfeições e buracos no asfalto.

Outro ponto é a altura livre, considerada muito baixa e obrigando a passar “de lado” nas lombadas para não raspar. Também dizem que a frente raspa muito por conta disso.

Preocupa, no entanto, algumas queixas referentes à eficiência dos freios. Um dos donos diz que é preciso muito espaço para parar o veículo. No geral dos relatos sobre o assunto, os clientes dizem que os freios demoram demais para parar o veículo.

Pelo que se pode ver, nem mesmo um dos carros mais admirados por seu aparente custo-benefício, com baixa desvalorização e alegada economia, sem contar confiabilidade mecânica e qualidade, escapa de apresentar defeitos e problemas.

O fato de a Honda ter uma boa imagem no país, assim como outras de origem nipônica, faz com que a expectativa seja superior a realidade em muitos casos e o desapontamento da maioria dos clientes que os defeitos e problemas ocorridos acima é digno de nota.

 

 

 

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.